quinta-feira, 6 de abril de 2017

ZÉ DA SILVA

Piolhos


Se há um piolho incomodando, um tiro de calibre 12 na cara dele. Mas quando uma infestação atormenta a cabeça de todo mundo, como fazer? Jogou o jornal para o lado, amassado. Em Brasília, todas as horas são de terror – para o resto do país. Pensou nisso e viu que a solução do inseticida seria fraca. Os líderes! Sim, pegar os principais, das facções – e mostrar como acontece antes de se chegar à solução de enterrar de cabeça pra baixo para não ocupar espaço na face da Terra. Transmissão em tempo real acompanhando o depoimento do safado, pelado, pinto encolhido, o toba lacrado, pedindo perdão - e se borrando feito bebê com disenteria. Agora pode cantar o hino nacional porque vai morrer em nome da pátria amada salve, salve. Olha o seu buraco nessa terra abençoada por deus, bonita por natureza e ocupada por um povinho bem ao gosto de filhos da peste bubônica que comandam o extermínio com pose de estadistas – e sempre bem perfurmados, apesar das mãos sujas de sangue. O que? Quer falar mais? Não. Antes de descer ao inferno terás os dentes branquinhos quebrados a coronhadas. Não vale engolir, senão não vai ter espaço para a terra que vai te engasgar na busca desesperada do ar. Como? Não merece? Até nessa hora você mente? Não reze. Você será o precursor. Para os amigos de sempre, o exemplo, para a laia de sempre. Pronto, podem socar essa praga, mas deixem os pés pra fora quando taparem o buraco. Os porcos desesperados de fome precisam.


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