quinta-feira, 15 de novembro de 2018

STAN LEE

O homem que reinventou os quadrinhos

   Stan Lee e O Homem Aranha                                                      © Nick Saglimbeni


por  Célio Heitor Guimarães


Stan Lee, que faleceu na segunda-feira, aos 95 anos de idade, não foi apenas o editor e roteirista de quadrinhos que criou centenas de personagens, até hoje cultuados por milhões de leitores de gibis e espectadores de cinema em todo o mundo. Lee foi muito mais do que isso: ele humanizou os super-heróis, aproximando-os dos seres comuns.

Até o início da década de 60, super-heróis eram figuras não apenas poderosas, mas também inatingíveis, invencíveis, incapazes de sofrer danos e, por isso, praticamente, imortais. Com Stan Lee, tudo mudou. E ele revolucionou o mundo dos comics books. Super-herói passou a ter dor de estômago, apanhar do adversário, cair em depressão, ter problemas de falta de dinheiro – igual a todos nós.

“Eu estava cansado de escrever roteiros simplistas, com palavras que jamais excediam duas sílabas…” – como regista Roberto Guedes em “Stan Lee – O Reinventor dos Super-Heróis”, Editora Kolaco, 2012. Então, Lee disse à esposa: “Vou cair fora!”. Joan interveio com o bom-senso feminino: “Ora, Stan, você sempre disse que gostaria de escrever histórias diferentes. Então, por que não faz isso e edita uma revista do jeito que você quer? O pior que pode acontecer é o (editor) Martins te demitir. Mas você já quer pular fora de qualquer jeito…”. Daí nasceu o Universo Marvel. “Tudo por culpa da minha mulher!” – pontua o quadrinhista.

O Quarteto Fantástico foi a primeira experiência, em “Fantastic Four” # 1, lançado em novembro de 1961. Um grupo de heróis bem diferente dos tradicionais, sem uniformes vistosos e identidades secretas. Além do que, o cientista Reed Richard, sua noiva Sue Storm, o irmão mais novo dela, Johnny, e um piloto de caças, Bem Grimm, têm endereço conhecido, no alto do edifício Baxter, em Manhattan. Durante a corrida espacial, em uma missão suicida, os quatro acabam expostos a misteriosos raios cósmicos. Resultado: Reed virou o Senhor Fantástico, capaz de esticar o corpo; Sue transforma-se na Garota Invisível; Johnny vira uma nova versão do velho herói dos anos 40 Tocha Humana; e Bem vira o Coisa, um ser rochoso de cor alaranjada.

O sucesso foi imediato. E, como diz Guedes, Stan Lee “sacou que tinha dinamite nas mãos”. Resgatou do ostracismo Namor, o Príncipe Submarino”, e, em parceria com o desenhista Jack Kirby, lançou o Incrível Hulk (maio de 1962). Em seguida, o Poderoso Thor (agosto de 1962), inspirado na mitologia nórdica, O Homem de Ferro (março de 1963) e Doutor Estranho (julho de 1963). Reunindo todo mundo, mais o diminuto Homem-Formiga e Vespa, surgiram Os Vingadores, e em março de 1964 foi revivido o Capitão América, não mais o super-soldado congelado num iceberg, mas um homem deslocado no tempo. Depois, vieram Nick Fury, O Falcão e o primeiro super-heróis negro, o Pantera Negra (nova criação com Kirby). Aí foi a vez dos X-Men, jovens que já nasceram com superpoderes, supervisionados pelo cientista mutante e telepata Charles Xavier, e do Demolidor (abril de 1964), bolado por Lee em parceria com o desenhista Bill Everett.

Em março de 1966, nasceria um dos mais extraordinários personagens da dupla Lee/Kirby: O Surfista Prateado, que surfava pelos céus numa prancha voadora. Arauto de Galactus, o devorador de planetas, a criatura logo rebelar-se-ia contra o criador e se tornaria exilado na Terra, atormentado pela prisão e temido e odiado pelos terráqueos. Uma obra-prima.

No entanto, a grande criação de Stan Lee foi e continuará sendo sempre O Homem-Aranha, vivido por Peter Parker, uma figurinha sem graça, sem amigos, vítima de bullying na escola, sem emprego fixo e sem dinheiro, com imensos óculos e uma tia velha para cuidar. Tudo ia nesse ritmo até que, durante uma exibição científica, uma pequena aranha contaminada por radioatividade pica o jovem, que passa a exibir habilidades idênticas às do aracnídeo: força e agilidade, uma espécie de sexto sentido e a capacidade de escalar prédios e andar pelas paredes.

O personagem, como achavam os editores, tinha tudo para dar errado. Era a antítese de um super-herói. Só que deu certo. E como! Um dos motivos foi a arte de Steve Ditko, que conferiu um visual de fragilidade e mistério ao personagem. E com o Homem-Aranha, Stan pode questionar instituições como a família, a escola, o trabalho, a imprensa e até mesmo o modelo capitalista, personificado pelo editor de “O Clarim Diário”, J. Jonah Jameson.

Muito ainda se poderia dizer sobre Stan Lee, que nasceu Stanley Martin Lieber, em 28 de dezembro de 1922, em Nova York, EUA. Infelizmente, o espaço é curto.

Acrescente-se, então, apenas, que o roteirista vinha enfrentando ultimamente uma série de problemas de saúde, além de conflitos com seu empresário, a respeito do gerenciamento de seus bens e de sua herança. Faleceu na manhã de 12 de novembro, no hospital Cedars-Sinai Medical Center, de Los Angeles, na Califórnia, deixando uma filha, Joan Celia Lee. A esposa Joan havia falecido em julho de 2017.

A DC Comics, a grande concorrente da Marvel, postou uma derradeira homenagem a Stan Lee em seu site: “Ele mudou a forma como vemos os heróis, e os quadrinhos modernos sempre carregarão sua marca indelével. Seu contagiante entusiasmo nos lembra por que nos apaixonamos por essas histórias em primeiro lugar. Excelsior, Stan!”



quinta-feira, 25 de outubro de 2018

LOUIS JORDAN

Caldonia (1946)



Cena do filme "Swing Parade of 1946 "

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

ARETHA FRANKLIN

RESPECT

Aretha Louise Franklin
(Memphis, 25 de março de 1942 — Detroit, 16 de agosto de 2018)

domingo, 29 de julho de 2018

WILLIAM MORTENSEN

William Herbert Mortensen  
(January 27, 1897 – August 12, 1965)










terça-feira, 24 de julho de 2018

ODAIR JOSÉ

Festival de Inverno de Garanhuns
Garanhuns, 23 de julho de 2018.

Fotografias de Ricardo Silva






 *Participação especial de Bárbara Eugênia
 *Participação especial de Bárbara Eugênia






quinta-feira, 12 de julho de 2018

Célio Heitor Guimarães


Ontem, hoje e amanhã



Minha geração foi criada com princípios morais comuns. Quando éramos crianças, ladrão tinha cara de ladrão, padre agia como padre e juiz era juiz; medo, tínhamos do escuro, de cemitério e de alma do outro mundo. Mães, pais, avós, tios e professores eram autoridades presumidas, dignas de respeito. Quanto mais próximas e mais velhas, mais afeto e mais respeito.

Hoje, dá uma tristeza infinita pensar no que já foi, no que aí está e no que nossos filhos e netos terão pela frente. De repente, matar pais ou avós, violentar crianças, sequestrar, roubar, enganar, tirar proveito, tudo virou banalidade, notícias corriqueiras de jornal ou de televisão, que serão esquecidas após o intervalo comercial.

Agentes da segurança viraram bandidos; fiscais de trânsito foram transformados em funcionários da indústria de multas; as blitz policiais não vão além de exercício de abuso de poder. Para os criminosos, os direitos humanos; para o cidadão honesto e cumpridor de seus deveres, mais deveres. Bandidos passaram a usar terno e gravata; assassinos têm cara de anjos; pedófilos, cabelos brancos e batinas. E os ladrões do dinheiro público viraram empresários, políticos e autoridades públicas. Em regra, com o voto da gente.

Que tempo é este?

Escolas são saqueadas, professores são surrados em sala de aula, comerciantes são ameaçados por traficantes; assalta-se e mata-se ao ar livre e à luz do sol com escancarada desfaçatez, grades cobrem nossas janelas, ninguém sai mais de casa; vivemos confinados nos shopping centers. Mas crianças continuam dormindo ao relento e gente como a gente continua morrendo de fome e de frio.

Que valores são esses?

Carros valem mais do que abraço, filhos querem-nos por haver passado de ano; todo mundo anda, come e trabalha de olho na telinha e celulares são presença obrigatória em mochilas escolares de recém saídos das fraudas…

O que vai querer em troca desse abraço, meu filho? Uma viagem ao Exterior, um SUV último tipo ou o mais recente lançamento da Apple ou da Samsung?

Mais vale um Armani do que um diploma; mais vale um whatsapp do que uma conversa; mais vale um baseado do que um sorvete.

Que lares são esses? Jovens ausentes, pais ausentes, droga presente e o presente é uma droga.

Uma árvore, uma estrela, um pássaro, uma flor. Quando foi que tudo sumiu? Ou virou ridículo? Quando foi que eu esqueci o nome do meu vizinho? Qual foi a última vez em que olhamos para quem nos pede comida ou uma moeda no semáforo, sem sentir raiva ou medo?

Quero de volta a minha dignidade e a minha paz. Quero de volta a lei e a ordem, a liberdade com segurança. Quero tirar as grades da minha janela para poder tocar as flores. Quero sentar na calçada e ter a porta da minha casa aberta nas noites de verão. Quero a honestidade como obrigação e motivo de orgulho. Quero a retidão de caráter, a cara limpa, o olho no olho. Quero de novo a vergonha, a solidariedade, a esperança, a alegria. E teto, comida e emprego para todos.

Quero voltar a ser feliz. Quero dizer um basta a essa violência, a esse desamor, a essa patifaria, a essa inversão de valores e de ideais. Preciso voltar a ser gente, a ter amor, solidariedade, fraternidade; a indignar-me diante da falta de respeito, de ética, de caráter. E poder tentar construir um mundo melhor, mais humano e mais justo, onde as pessoas respeitem-se e sejam respeitadas. Apenas isto.

Utopia? Não, se cada um fizer a sua parte.

Esse desabafo me chegou, em essência, há algum tempo, via internet, de autor desconhecido. Assumo-o, adapto-o e o reparto com o leitor. Estamos todos precisando muito dele.