sábado, 22 de abril de 2017

CAUSA SUI

Portixeddu & Tropic of Capricorn



DRAN




BRASIL, 517 ANOS


O gigante adormecido que nunca acordou de seu sono profundo se vê agora em coma induzido para verificar e tratar, se for o caso, de uma futura falência múltipla de órgãos. As bactérias são muitas, atacam em todas as áreas, as defesas naturais assim como os antibióticos usados já não tem a eficiência desejada. Um antigo remédio caseiro, muito eficiente, pode ser usado, mas primeiro tem que ser encontrado. Muito eficaz nesse tipo de moléstia, usado em muitos países do mundo com resultados excelentes. Povo brasileiro, este remédio se chama VERGONHA NA CARA.


sexta-feira, 21 de abril de 2017

TIRADENTES ESQUARTEJADO


Tiradentes esquartejado, de Pedro Américo “Tiradentes esquartejado”, Pedro Américo, 2,70 x 1,65 m, 1893, Museu Mariano Procópio, Juiz de Fora, MG. Segundo a historiadora de Arte, Maraliz Christo, a tela de Pedro Américo foi rejeitada pela crítica em sua primeira aparição pública, no Rio de Janeiro, em 1893. O quadro, longe de mostrar um herói em ação, o retrata morto, aos pedaços, fugindo dos cânones republicanos de sugerir uma visão de futuro, do herói vivo ou revivido nos ideais do novo regime que se implantava. A imagem assustadora de Tiradentes esquartejado foi adquirida pela prefeitura de Juiz de Fora por intermédio de um vereador que coordenava o Museu Mariano Procópio. Lá permaneceu esquecida por cinquenta anos quando, em 1943, foi reproduzida no livro biográfico de Pedro Américo, escrito por Cardoso de Oliveira. A tela de Pedro Américo traz, contudo, alguns símbolos que reforçam a representação mítica de Tiradentes. Além da aparência de Cristo, o crucifixo ao lado da cabeça reforça a semelhança do herói martirizado com Jesus supliciado. A cabeça decepada e o corpo esquartejado sobre o cadafalso, como sobre um altar, destacam a violência do sistema colonial e também evocam a traição de que Tiradentes fora vítima. Traído por Joaquim Silvério dos Reis, o novo Judas, e também pelos companheiros que se acovardaram e deixaram cair sobre ele toda a culpa. Culpa que ele assumiu de boa vontade – fatos que calavam profundamente no sentimento popular, marcado pela religiosidade cristã. A pintura de Pedro Américo deu continuidade à mitificação e heroicização de Tiradentes. Em 1949, Portinari pintou “Os despojos de Tiradentes no caminho novo das Minas” mantendo a aproximação com a simbologia religiosa. O painel mostra os pedaços do corpo pendendo de postes e mulheres ajoelhadas que lembram a cena do Calvário. A força do mito atravessou décadas e marcou outras datas contemporâneas: a inauguração de Brasília, a nova capital da República, em 1960 e o anúncio da morte de Tancredo Neves, o primeiro presidente civil eleito depois do regime militar. A notícia do óbito presidencial, em 21 de abril de 1985, associou Tiradentes ao presidente que prometia a instauração da liberdade e a democracia. Três dias depois, comentava Eliakim Araújo no programa Globo Repórter (24/04/1985): “Esta noite, quando a histórica São João del Rei enterrou o seu presidente, reuniu num só destino dois filhos ilustres de seu chão: Tancredo de Almeida Neves e Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. Patrono cívico da nação brasileira”. O mito alimentava outro mito. Mas isso já é outra história.

O pintor Pedro Américo (1843-1905) já era um artista renomado quando pintou “Tiradentes esquartejado”, em 1893. A tela foi feita por iniciativa do próprio pintor que pretendia criar um conjunto de obras sobre a Conjuração Mineira. O conjunto nunca foi feito, mas “Tiradentes esquartejado” reforçou a imagem do herói-mártir dos republicanos. O artista e o contexto histórico O paraibano Pedro Américo (1843-1905) foi um pintor da chamada escola romântica, um estilo artístico que vigorou na Europa em meados do século XIX e que teve, entre suas características, a exaltação dos sentimentos nacionalistas. Pintou temas históricos como A Batalha de Campo Grande (1871), Fala do Trono (1873), Batalha do Avaí (1874) e O grito do Ipiranga (1888). Essas telas exaltavam feitos da monarquia a quem Pedro Américo era grato, afinal seus estudos de artes plásticas em Paris, dos 16 aos 21 anos, foram patrocinados pelo imperador D. Pedro II. Os ventos políticos, contudo, eram outros. A República fora proclamada, em 1889, e o novo governo ainda não se consolidara. A renúncia de Deodoro em 1891, revoluções na capital e no sul (Revolta da Armada e Revolução Federalista) e a crise econômica e financeira do Encilhamento fragilizavam o novo regime que sequer apoio popular possuía. O desafio de substituir um governo e construir uma nação exigia uma população unida em torno do novo projeto político. Uma das estratégias para tal, era eleger um herói “integrador e portador da imagem do povo inteiro”. Heróis são símbolos poderosos, encarnações de ideias e aspirações, pontos de referência, fulcros de identificação coletiva. São, por isso, instrumentos eficazes para atingir a cabeça e o coração dos cidadãos a serviço da legitimação de regimes políticos. Não há regime que não promova o culto de seus heróis e não possua seu panteão cívico. (…) A falta de envolvimento real do povo na implantação do regime leva à tentativa de compensação, por meio da mobilização simbólica. (José Murilo de Carvalho) Inicialmente, tentou-se alçar à posição de herói republicano os principais participantes do 15 de novembro, entre eles, marechal Deodoro, Benjamin Constant e Joaquim Floriano. Não deu certo. Tiradentes, o único executado na Conjuração Mineira, atendia às exigências da mitificação. O sonho de implantar uma Republica o contrapunha aos monarquistas. Seu nome estava nos clubes republicanos e ele era o herói exaltado pelos setores republicanos mais radicais por sua origem humilde e popular em contraste com a elite econômica e política. Em um contexto de tensões políticas e crise econômico-financeira, Tiradentes inaugura o panteão republicano como elemento integrador, o mártir que deu sua vida à causa republicana e, portanto, o herói cívico, por excelência. Na figura de Tiradentes todos podiam identificar-se, ele operava a unidade mística dos cidadãos, o sentimento de participação, de união em torno de um ideal, fosse ele a liberdade, a independência ou a república. Era o totem cívico. Não antagonizava ninguém, não dividia as pessoas e as classes sociais, não dividia o país, não separava o presente do passado nem do futuro. Pelo contrário, ligava a república à independência e a projetava para o ideal de crescente liberdade futura. A liberdade ainda que tardia. (José Murilo de Carvalho) Tiradentes tornou-se assim símbolo da República e, em 1890, a data de sua morte, 21 de abril foi declarada feriado nacional. Por essa época, Pedro Américo perdera sua posição de pintor oficial e, pouco depois, fora aposentado do cargo de professor da Academia de Belas Artes (1890). Suas ligações com o regime deposto dificultavam as encomendas de trabalhos. Motivado pelo centenário da morte de Tiradentes (1892), Pedro Américo, por iniciativa própria, produz a tela procurando recuperar o apoio do governo, em especial do Estado de Minas Gerais para o qual ela é oferecida. A pintura faria parte de um conjunto de cinco telas que retratariam a tragédia da conjuração. Qual a cara do herói? Quase nada se sabe sobre a aparência física de Tiradentes. Não há retratos do século XVIII e as poucas descrições são imprecisas. Não se sabe se era branco ou mulato, rico ou pobre e mesmo seu verdadeiro papel na conjuração não é plenamente conhecido e ainda gera muito debate entre os historiadores. Transformou-se em um mito sem ter sido plenamente conhecido como personagem histórico. Como lembra Murilo de Carvalho, a construção do mito transcende ao debate historiográfico: O domínio do mito é o imaginário que se manifesta na tradição escrita e oral, na produção artística, nos rituais. A formação do mito pode dar-se contra a evidência documental; o imaginário pode interpretar evidências segundo mecanismos simbólicos que lhe são próprios e que não se enquadram necessariamente na retórica da narrativa histórica. Mesmo de aparência física desconhecida, sabe-se que Tiradentes, sendo militar, usava barba raspada e bigodes fartos como todos os militares da época. Quando foi enforcado, vestia um camisolão branco e estava com o cabelo e a barba totalmente raspados, como era costume para os condenados. Contudo, essa não foi a imagem dada ao herói. A representação de Tiradentes ganhou contornos religiosos: o mártir foi associado a Cristo e recebeu a aparência consagrada pela iconografia cristã. A barba crescida, o rosto sereno e o olhar elevado aos céus reforçavam a associação de Tiradentes com a imagem de Cristo. Mas é bom lembrar que a representação de Tiradentes como Cristo não foi invenção dos republicanos e nem de Pedro Américo. Poetas e escritores já tinham feito essa associação ainda na época do Império. Há, inclusive, registros de festas comemorativas da Conjuração Mineira e da morte de Tiradentes nas últimas décadas do século XIX. Na década de 1890 e, sobretudo, no tempo dos presidentes Campos Sales (1898/1902) e Rodrigues Alves (1902/1906), a imagem de Tiradentes como herói cívico-religioso fixou-se. Nesses anos, houve, em todo país, uma febre de construção e reformas de prédios para abrigar as novas funções políticas e administrativas trazidas pela República. É dessa época, por exemplo, a reforma do Palácio do Catete, antiga residência aristocrática, para adaptar-se ao novo uso administrativo e de residência oficial do presidente da República. Para decorar os novos salões, foram encomendadas pinturas que exaltavam a nação e o culto patriótico. Entre os temas encomendados aos pintores estavam aqueles referentes a Tiradentes, o herói republicano. Nessa pintura de exaltação da República, destacaram-se: Décio Villares (1851-1931), Eduardo Sá (1866-1940) e Aurélio de Figueiredo (1856-1916) cujas telas sobre Tiradentes foram reproduzidas incansavelmente em jornais, revistas e livros escolares consagrando, no imaginário popular, a imagem do herói cívico como Cristo. 


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Blog: Ensinar História - Joelza Ester Domingues

quinta-feira, 20 de abril de 2017

DEVO

Come back Jonee

DISCOTECA BÁSICA

Crosby, Stills, Nash & Young
Déjà Vu (1970)
Quando o canadense Neil Young se juntou ao trio de bardos David Crosby, Stephen Stills e Graham Nash o mundo da música só tinha o que comemorar. Representando a nata do folk-rock da época, esse quarteto fantástico produziu apenas este disco em estúdio e outro ao vivo, porem foi o suficiente pra deixar sua marca na história. O disco apresenta canções bem divididas dos quatro compositores, onde a inspiração é total para falar de temas diversos, sempre mantendo o espirito politizado do conjunto, em canções de rock, blues, country, baladas e folk. As melhores faixas são: a avassaladora "Carry On" de Stills, "Almost Cut My Hair" de Crosby, "Woodstock ", e "Everybody I Love You' de Stills e Young. Para todos os fãs de qualquer um desses músicos extraordinários, que juntos conseguiram gravar um grande monumento do rock.




FONTE: http://discografiabasicamp3.blogspot.com.br/2009/03/crosby-stills-nash-young-deja-vu-1970.html

JORGE LUIS BORGES


O Suicida

Não restará na noite uma só estrela.
Não restará a noite.
Morrerei e comigo irá a soma
Do intolerável universo.
Apagarei medalhas e pirâmides,
Os continentes e os rostos.
Apagarei a acumulação do passado.
Farei da história pó, do pó o pó.
Estou a olhar o último poente.
Ouço o último pássaro.
Lego o nada a ninguém.


* in "A Rosa Profunda"