quarta-feira, 18 de abril de 2018

PAULO LEMINSKI


Contranarciso


em mim
eu vejo o outro
e outro
e outro
enfim dezenas
trens passando
vagões cheios de gente
centenas

o outro
que há em mim
é você
você
e você

assim como
eu estou em você
eu estou nele
em nós
e só quando
estamos em nós
estamos em paz
mesmo que estejamos a sós


sábado, 7 de abril de 2018

Malagueña Salerosa


Trio Tariácuri



Malagueña Salerosa canción interpretada por el Trío Tariácuri. El cantante principal de este video es Jesús de la Rosa Muñoz. Los hermanos Mendoza formaron el Trío Tariácuri en el año de 1931.

quinta-feira, 22 de março de 2018

quarta-feira, 14 de março de 2018

A FEBRE DO INFINITO


A Febre do Infinito do Mattüs é o segundo lançamento da Sirva-se como editora




Por Sirva-se


Sexo, drogas, suicídio em massa, violência, críticas sociais, hecatombes, tretas conjugais nos moldes das relações líquidas (Bauman que o diga) e um pouco de rock e MPB. Assim é ambientado o universo do escritor natural de Palmeira dos Índios e residente em Maceió, Mattüs.

O cara lança agora o seu segundo romance, A febre do Infinito (2018), um lançamento da Sirva-se Edições Alternativas em parceria com a Livrinho de Papel Finíssimo Editora, de Recife.

A recente publicação é uma continuação indireta de O beco das almas famintas (2016), livro de estréia do autor que trouxe como ambientação narrativas que se passavam na Cidade Sereia, uma pequena metrópole sanguinária habitada por cracudos, pastores picaretas e o encontro escatológico com o bode preto. O curto romance é dividido em pequenos capítulos, quase contos, que dão conta de narrar uma sociedade falida comandada pelo Deus dinheiro e a desesperança com a humanidade.

Já A Febre do Infinito tem no enredo a personagem principal Pedro, um figura que perde a namorada num ritual de suicídio em massa. Sacana que é, ele aproveita a morte da ex amada para afanar em seu apartamento os seus discos raros. O acontecimento é o ponto de partida para o desenrolar da trama, acaba pondo em risco toda a tranquilidade da Cidade Sereia, para ser mais preciso, o bairro mais nobre, conhecido como Praia Vermelha (PV).

“O enredo é crítico e fictício, logo resolvi não fazer uma “história de final fechado”, como fiz em “O Beco…”, tudo em “A Febre do infinito” é bem aberto, tanto que a ordem de alguns capítulos foi trocada só para intrigar o leitor. Como o número “8” é a referência presente em todo o livro, a obra foi dividida em oito capítulos, onde o oitavo capítulo tem oito partes e a oitava parte do oitavo capítulo possui oito parágrafos”, explica Mattüs.

As influências durante o período de produção do livro vão desde o que ele estava lendo no momento, que no caso foram os escritores: Clarice Lispector, Lourenço Mutarelli e James Joyce até publicações sobre seitas suicidas.

Mattüs acredita que o caminho para continuar jogando no mundo seus escritos e ter a liberdade para produzir é optar pela autopublicação/publicações independentes. “Acredito no poder da autopublicação como não se ter barreiras para dar forma as suas ideias. Basicamente, a autopublicação (dos fanzineiros aos livreiros) é uma prova que o melhor caminho deve ser o de mandar todo mundo se foder e lançar livros como você bem entender”, defende.

A nova empreitada foi escrita em seis meses. O cara tem usado o esquema de fazer um “rascunhão” com praticamente um pouco mais da metade da obra numa vomitada só e, a partir disso, depois de um longo período no limbo, voltar a trabalhar no texto. Na medida em que os capítulos iam ficando prontos, ele mandava uma versão atualizada para um amigo ilustrar. “É um processo maravilhoso no começo, legal no meio e meio insuportável no final, mas o resultado impresso compensa qualquer dor de cabeça e ataques de pânico”, acrescenta.

Participam do livro: 
Daniel Contin (Ilustração), Dhiego Simões (revisão), Livrinho Editora (diagramação), Sirva-se Edições Alternativas (impressão).

Mattüs- por: R. Silva

Mattüs — besta do submundo das antiartes e agitos psicoquímicos — é uma aberração natural de Palmeira dos Índios (AL) e habita o underground maceioense há mais de uma década. A figura surgiu na literatura através do universo dos fanzines, sendo editor do grotesco zine marginal “Spermental” (2006–2013), “O Novo Pagão”, “Histórias pra Belzebu Dormir” e colaborador dezenas de outros zines com malucos de todo o país. Em 2016, lançou “O Beco das Almas Famintas” pela Livrinho de Papel Finíssimo Editora, a obra é um romance recheado de fábulas escatológicas que deram origem à “massacrelândia tropical” em que suas histórias pútridas são ambientadas: neste livro-inferno são abertas as portas da Cidade Sereia, uma pequenina metrópole sanguinária que odeia os miseráveis e está disfarçada de Califórnia brasileira, um reino de caos, diversão e destruição persiste, tornando-se um dos temas chave na narrativa de “A Febre do Infinito” (2018), segundo romance do autor.

O monstro também é roteirista/produtor da degenerada “Scoria Filmes”, produtora filmes trash/experimentais nascida há mais de uma década e com cerca de 10 trabalhos; dentre eles, os curtas “Psychodemia” (2009), “O Panorama da Carne” (2013) e o média metragem “Surf Kaeté” (2015). Não satisfeito em destruir a dignidade da literatura e do cinema, Mattüs ainda participa do projeto antimusical “Power of The Nóia”, antibanda que carrega quase uma dezena de lançamentos recheados de insucessos.


LANÇAMENTO

O livro já vem circulando ha certo tempo e Mattüs tem feito o esquema de distribuição de forma direta, de mão em mão ou por correspondência. Mas quem quiser sacar um pouco melhor da obra e trocar uma ideia com autor antes de adquirir a sua cópia, o figura vai lançar o material na próxima sexta-feira (16) ao som de música suja e barulhenta no evento Fim do Mundo que acontece no Pub Fiction, bairro da Jatiúca, em Maceió. Corre pra lá e garante teu exemplar, que as cópias são numeradas e limitadas!


PUB FICTION 
Avenida Antônio Gomes de Barros (Antiga Amélia Rosa), nº 1144.
16 de março de 2018
21 horas
Cartaz do evento onde Mattüs lança A Febre do Infinito na próxima sexta-feira (16)

https://medium.com/@Sirvase/a-febre-do-infinito-do-matt%C3%BCs-%C3%A9-o-segundo-lan%C3%A7amento-da-sirva-se-como-editora-3aee868582ef


terça-feira, 6 de março de 2018

sexta-feira, 2 de março de 2018

PAULO LEMINSKI


Se



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nem

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se

trans

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mar




quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

O DEMÔNIO DA NOITE



Por: Rodrigo Carreiro


Um sofisticado assaltante de lojas de equipamento eletrônico mata investigador a sangue frio e vira objeto de uma caçada policial minuciosa em Los Angeles. Ao filmar essa história com um estilo seco e objetivo, quase documental, o diretor Alfred L. Werker conseguiu demonstrar como a estética estilizada e quase expressionista do filme noir podia funcionar dentro de gêneros diferentes. Sem saber, ele estava revolucionando o thriller de perseguição, pois “O Demônio da Noite” (He Walked by Night, EUA, 1948) agregava um nível de realismo inédito ao estilo. Por razões diversas, o filme acabou fadado a um estágio injusto de semi-obscuridade, merecendo menções por ter inspirado a famosa série “Dragnet” (primeiro na rádio, depois da TV). Trata-se de uma obra que merece ser revalorizada.
Pode-se atribuir esse fenômeno, de certa forma, à trajetória errática do homem que a assina. Alfred L. Werker jamais se destacou em Hollywood, e seu nome não sobreviveu bem ao teste do tempo. Como a maior parte dos cinéfilos guia seu processo particular de redescoberta dos grandes clássicos do passado pelo nome dos diretores, “O Demônio da Noite” costuma passar despercebido a muita gente. Um dado importante, porém, pode corrigir o problema: reza a lenda que boa parte das seqüências do longa-metragem de 1948 foi dirigida por Anthony Mann, que se tornaria um dos maiores nomes de Hollywood na década seguinte.

Como Howard Hawks e John Ford, Anthony Mann foi um cineasta clássico, preferindo narrativas limpas e sem muitas firulas visuais. Essa é uma das maiores qualidades de “O Demônio da Noite”: é um filme eletrizante, alucinante, mais interessado em radiografar o processo dinâmico de investigação de um rumoroso caso verdadeiro do que em criar drama a partir de uma história de ficção. De certa forma, “O Demônio da Noite” aspira algo diferente da ficção, como deixa claro o letreiro que abre o filme. O objetivo dos realizadores era narrar, com o máximo de fidelidade possível, os procedimentos policiais para capturar um veterano de guerra que matou várias pessoas e aterrorizou Los Angeles durante o ano de 1947. Objetivo cumprido com perfeição.

Quase todo o filme enfoca os esforços da polícia para identificar e capturar o assassino. A única exceção é a seqüência de abertura, que mostra o motivo da perseguição tão obstinada: o assassinato de um policial, algo que sempre melindra os colegas do morto, fazendo-os se desdobrar para prender o responsável no menor tempo possível. A cena é curta e impactante, em parte devido à fotografia cheia de sombras e fortes contrastes, egressa do film noir. Pego em flagrante por um investigador ao tentar arrombar uma loja de artigos eletrônicos, o criminoso acerta três tiros no detetive para poder se safar, e foge em seguida. Com a morte do colega, os policiais formam uma verdadeira força-tarefa, na tentativa de conseguir uma pista concreta que possa levar ao criminoso.

O trabalho é duro, dificultado ainda mais pelo perfil do matador. Este é um homem solitário e metódico, o que complica bastante as investigações. Ele não deixa impressões digitais nos locais dos crimes, muda sempre o horário e a forma de agir, e não possui nenhuma conexão com o submundo, operando sempre sozinho. Dessa forma, os policiais são obrigados a investigar exaustivamente, utilizando todas as ferramentas disponíveis, conduzindo dezenas de interrogatórios com suspeitos e testemunhas e usando as mais avançadas técnicas forenses disponíveis.

A objetividade do filme é tão grande que nenhum dos personagens, sem exceção, tem vida própria; todos são mostrados apenas e exclusivamente durante a investigação do caso. Isso é tudo o que interessa ao diretor. Nessa escolha, é possível perceber alguma influência do miolo do filme alemão “M – O Vampiro de Düsseldorf”, de Fritz Lang. Os momentos mais lembrados do longa de 1930, são a abertura poética e o “julgamento” teatral que o encerra, mas Lang recheou a produção com longas seqüências que mostravam as técnicas policiais utilizadas na investigação. É esse o enfoque que interessa a Alfred L. Werker. A narração em off, quase jornalística, reforça ainda mais o estilo documental.

A decisão mantém o filme um tanto frio, sem permitir o envolvimento emocional do espectador com nenhum personagem. Por outro lado, dá à trama um sentido de urgência realmente impressionante. Nesse sentido, é possível sentir uma influência indireta de “O Demônio da Noite” em trabalhos que seriam famosos no futuro, como os thrillers “Seven” e “O Silêncio dos Inocentes”, e também na série de TV “C.S.I.”, que mostra um grupo de peritos científicos analisando cenários de crimes para descobrir quem os cometeu.

O maior destaque individual de “O Demônio da Noite” é a interpretação minimalista de Richard Basehart, no papel do criminoso. Basehart enfatiza o caráter solitário do homem, mastigando os raros diálogos com traços de mau-humor e dotando-o de olhar e risada maníacos. Além disso, o clímax do longa-metragem, passado nos esgotos de Los Angeles, cita o noir “O Terceiro Tiro” de forma empolgante e cheia de energia. Grande filme.


*
O Demônio da Noite (He Walked by Night, EUA, 1948)
Direção: Alfred L. Werker
Elenco: Richard Basehart, Scott Brady, Roy Roberts, Jack Webb
Duração: 79 minutos


CINE REPÓRTER