domingo, 15 de novembro de 2015

Nausicaa do Vale do Vento

A primeira obra prima de Hayao Miyazaki



Mil anos após a guerra apocalíptica dos Sete Dias de Fogo, os últimos povoados humanos lutam para sobreviver longe do Fukai, uma floresta tóxica habitada por insetos gigantes que avança sem controle por toda superfície do planeta. Neste trágico cenário somos apresentados a Nausicaa, a última princesa da casa real do Vale do Vento, um pequeno reinado alheio às guerras de seus países vizinhos.
Intrépida e sensível, Nausicaa não aceita a degradante condição humana e busca no interior do Fukai descobrir uma maneira dos homens conviverem novamente em harmonia com o planeta. Porém, a pacífica vida de Nausicaa muda completamente após a queda de uma imensa nave de transporte em sua terra natal, sendo rapidamente envolvida na guerra dos reinados vizinhos que lutam pelo controle da última arma biológica reminescente da civilização industrial, o mesmo tipo de criatura responsável pela destruição desencadeado na guerra dos Sete Dias de Fogo.
Apesar de não ser a primeira produção de Hayao Miyazaki, Nausicaa do Vale do Vento(Kaze no Tani no Naushika, 1984) foi o primeiro filme onde Miyazaki exerceu total controle. Da adaptação de sua versão em mangá à edição final, o sucesso do filme nos cinemas japoneses abriu as portas para a criação do lendário Studio Ghibli no ano seguinte – que basicamente absorveu a equipe criativa que trabalhou em Nausicaa e o modo de produção do diretor, que participava intensamente até mesmo da revisão quadro a quadro da arte de seus filmes.
Em termos técnicos, Nausicaa do Vale do Vento é uma obra impecável para sua época e mesmo hoje em dia assusta pela qualidade de sua animação, que aliada a incrível trilha sonora de Joe Hisaishi praticamente não deixa espaço para críticas. Talvez o único ponto a se reclamar seja o fato do filme comprimir demais a trama desenvolvida por Miyazaki na versão em mangá, visto que no lançamento do animê Miyazaki só havia finalizado os dois primeiros volumes dos sete que compõem a obra. Por outro lado, a versão animada acaba se tornando mais ágil e direta ao exprimir sua mensagem em relação a sua versão impressa, eximindo assim esta crítica da obra.
Seja através da força feminina de Nausicaa; dos colossais insetos Ohmus; da sabedoria dos idosos do Vale do Vento; ou mesmo dos personagens dúbios que buscam a paz através da guerra, o filme expressa a tradicional preocupação de Hayao Miyazaki em transmitir através de suas obras questões de ordem práticas e filosóficas. Observa-se inclusive que a produção foi endorsada pelo WWF (World Wide Fund for Nature) na época de seu lançamento, tamanho poder da educativo da mensagem ecológica de Nausicaa do Vale do Vento.

Resumindo, um filme imperdível por sua primazia estética e beleza filósofica!


sábado, 14 de novembro de 2015

FERNANDO PESSOA

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

SOLDA

CÁUSTICO

SOLDA CÁUSTICO:http://cartunistasolda.com.br/

VINCENT VAN GOGH


Bottles and Earthenware


Cauldron and Jug


Vegetables and Fruit

terça-feira, 10 de novembro de 2015

OTIMISTA


Todo otimista é um mal-informado.


Paulo Francis

CABEÇA DE PEDRA

O terçol do olho cego

Não enxergo. Nasci assim. Não fiquem com pena. Desenvolvi ao máximo todas as sensibilidades possíveis. Tateio. Cheiro. Ouço. Penso. Meu mundo não é escuro. Porque são sei o que é a luz. Mas eu a sinto. Muito mais do que quem enxerga. Não gosto quando comparam os imbecis com a cegueira. Imbecil é quem faz isso. A convivência social é complicada. Odeio quem tem compaixão babaca ou fica perguntando sobre minhas dificuldades. Saio pouco de casa. Gosto de ouvir música clássica. Estou com um grande problema agora. Ainda não contei a ninguém. Comecei a sentir uma dor embaixo do olho esquerdo. Nasceu uma bolota. Terçol. A dorzinha incomoda, mas o que mais está me encafifando é que a coisa começou a aumentar muito e a tomar conta de todo o olho. Pior: ontem, ao acordar, eu percebi algo diferente e, pelo que já li e me falaram, tenho quase certeza de que era luz. Do dia. Não consegui interromper isso. Fiquei com medo. E se eu começar a ver tudo o que nunca vi em mais de trinta anos de vida? Não quero acabar com o meu mundo. Ele não é de trevas. Não precisa ser iluminado.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015