sábado, 16 de julho de 2016

MESMO DIA, ANO E LUGAR

Josefa Maria da Silva (Zefa) e José Antonio da Silva (Zé Luis)
Nasceram no dia 16/07/1926

Quando revelo que nasceram no mesmo dia, no mesmo ano e vizinhos de sítio em Palmeira dos Índios, não acreditam. Aí, emendo: morreram na mesma UTI de hospital naquela cidade do interior das Alagoas – com diferença de quatro anos. Primeiro, foi embora Zefinha. Depois, Zé Luis. Tinham menos de oitenta anos. Deixaram dois filhos e quatro netos – depois apareceu a bisneta. Começaram a namorar no Rio de Janeiro que era capital federal e Cidade Maravilhosa. Tinham vindo, cada um seguindo irmãos, tentar a vida no Sul Maravilha. Casaram no Nordeste, para provar que tinham casado mesmo. O signatário foi feito numa rede na casa dos avós paternos no pedaço de sítio que eu e meu irmão, que nasceu sete anos depois, herdamos. Como sei? Simples: ao voltar ao Rio, mamãe estava grávida. Aí o Zé Luis cismou e foi para São Paulo ser operário. Onde nasceram os dois filhos. Depois… Bem, eles nos deram tudo que era possível, ou seja, o básico, além da vida: educação, saúde, um teto e a certeza de que tínhamos apoio. Só fui ver isso depois dos quarenta anos. Mas nunca é tarde. Agradeci e entendi os dois. Ela chamava ele de Filhinho. Ele chamava ela de Filhinha. Bonito. Consegui me aproximar de verdade depois que me perdi na vida. Ricardo Silva, o artista da família, morou com eles. Só posso falar de mim e dou graças a deus ter podido ficar junto. Até na hora da morte dele. Na dela, cheguei apenas a tempo do enterro, pois tinham voltado para cumprir a sina do pau de arara: morrer na terra. Deles, nossa. Pra sempre. Amém.

por Roberto José da Silva

PARA O ZÉ


por  Adélia Prado 


Eu te amo, homem, hoje como
toda vida quis e não sabia,
eu que já amava de extremoso amor
o peixe, a mala velha, o papel de seda e os riscos
de bordado, onde tem
o desenho cômico de um peixe — os
lábios carnudos como os de uma negra.
Divago, quando o que quero é só dizer
te amo. Teço as curvas, as mistas
e as quebradas, industriosa como abelha,
alegrinha como florinha amarela, desejando
as finuras, violoncelo, violino, menestrel
e fazendo o que sei, o ouvido no teu peito
pra escutar o que bate. Eu te amo, homem, amo
o teu coração, o que é, a carne de que é feito,
amo sua matéria, fauna e flora,
seu poder de perecer, as aparas de tuas unhas
perdidas nas casas que habitamos, os fios
de tua barba. Esmero. Pego tua mão, me afasto, viajo
pra ter saudade, me calo, falo em latim pra requintar meu gosto:
“Dize-me, ó amado da minha alma, onde apascentas
o teu gado, onde repousas ao meio-dia, para que eu não
ande vagueando atrás dos rebanhos de teus companheiros”.
Aprendo. Te aprendo, homem. O que a memória ama
fica eterno. Te amo com a memória, imperecível.
Te alinho junto das coisas que falam
uma coisa só: Deus é amor. Você me espicaça como
o desenho do peixe da guarnição de cozinha, você me guarnece,
tira de mim o ar desnudo, me faz bonita
de olhar-me, me dá uma tarefa, me emprega,
me dá um filho, comida, enche minhas mãos.
Eu te amo, homem, exatamente como amo o que
acontece quando escuto oboé. Meu coração vai desdobrando
os panos, se alargando aquecido, dando
a volta ao mundo, estalando os dedos pra pessoa e bicho.
Amo até a barata, quando descubro que assim te amo,
o que não queria dizer amo também, o piolho. Assim,
te amo do modo mais natural, vero-romântico,
homem meu, particular homem universal.
Tudo que não é mulher está em ti, maravilha.
Como grande senhora vou te amar, os alvos linhos,
a luz na cabeceira, o abajur de prata;
como criada ama, vou te amar, o delicioso amor:
com água tépida, toalha seca e sabonete cheiroso,
me abaixo e lavo teus pés, o dorso e a planta deles
eu beijo.


(Do livro Bagagem. São Paulo: Siciliano, 1993. p. 99)


quarta-feira, 13 de julho de 2016

NO DIA DO ROCK

Jerry Lee Lewis
Whole Lotta Shakin Going On (Live 1964)

quarta-feira, 6 de julho de 2016

terça-feira, 5 de julho de 2016

CABEÇA DE PEDRA

Viagem na escuridão

No último vagão do trem de carga. Estava lá o menino no meio de uma aventura que começou com a família perdendo o trem que a levaria para uma chácara de um parente. Aconteceu numa baldeação. Então surgiu a carona. Embarcaram lá atrás no começo da madrugada. O céu nublado e nenhuma réstia de luz dentro ou fora daquela serpente sobre os trilhos. O som alto da locomotiva e o chacoalhar não assustaram o garoto. Os olhos, verdes, estavam arregalados. A sensação era a de estar entrando no desconhecido e, por mais paradoxal, ele morria de medo do desconhecido. Mas ali, não! O tempo deixou de existir. Ninguém falava - e a máquina que puxava uma infinidade de vagões, rasgava a escuridão impetuosamente. Até que parou, como o previamente combinado. Todos desceram, andaram um pouco e, na porteira da chácara, estancaram ao ouvir as feras chegando. O menino então teve medo, porque os latidos eram apavorantes. O mais velho da família falou algo em tom alto. Os cães reconheceram e se acalmaram. Entraram. A casa pareceu um castelo de contos de fadas. No dia seguinte, o garoto pode ver o sol nascendo dentro do lago envolto em neblina. Aí teve certeza de que a viagem na escuridão foi apenas uma preparação para o deslumbre.

NOEL NEILL

A primeira Lois Lane de Superman

Noel Darleen Neill (November 25, 1920 – July 3, 2016)

Kirk Alyn como Clark Kent (1948)

com George Reeves

Noel Darleen Neill, primeira atriz a interpretar Lois Lane, morreu neste domingo, aos 95 anos, em sua casa em Tuscon, Arizona, nos Estados Unidos. A notícia foi divulgada por seu biógrafo Larry Ward no Facebook. Noel sofreu por muito tempo de uma doença que não foi divulgada.
                                                               com George Reeves

A atriz deu vida ao par romântico do herói em 1948, em Super-Homem, ao lado de Kirk Alyn como Clark Kent, e em 1950, em O Homem Atômico Contra o Super-Homem. Ela retornou ao papel na série de TV As Aventuras do Super-Homem, entre 1953 e 58, com George Reeves na pele do protagonista.



Jack Larson and Noel Neill, who played Jimmy Olsen and Lois Lane

Noel Darleen Neill (November 25, 1920 – July 3, 2016)