sábado, 15 de junho de 2013

Santana & Clapton - Jingo


DISCOTECA BÁSICA

SANTANA
Abraxas (1970)



(Edição 179,Junho de 2000) 

Duas e meia da tarde de sábado, 16 de agosto de ,em pleno festival de Woodstock, perante uma multidão de hippies alucinados encharcados de chuva e lama. Um sexteto semidesconhecido, formado no bairro latino de São Francisco e liderado por um guitarrista mexicano de 22 anos, sobe ao palco principal - onde desfilam nomes como Jimi Hendrix e The Who - e praticamente hipnotiza a platéia com uma levada percussiva frenética, misturando ritmos afro-latinos e duelos entre os riffs afiados da guitarra e do órgão. O delírio é total, ao som de "Soul Sacrifice". 
Quando mudou-se do México para a Califórnia, em 1964, o guitarrista decidiu montar o combo The Santana Blues Band. Em vez de adotar o som psicodélico, tão em voga na época, o grupo tomou um rumo diferente, incrementando a parte percussiva com a inclusão de dois mestres dos tambores: Mike Carabello e o nicaraguense José "Chepito" Areas. O resultado foi acachapante e logo Santana foi criando um culto local, com uma série de concertos no Fillmore West, do empresário Bill Graham. Por meio dele, conseguiram a apresentação histórica em Woodstock, além de um contrato com a gravadora Columbia. Registrado às pressas, para aproveitar o sucesso repentino da banda, o álbum homônimo de estréia (1969) revelava todo o balanço latino definitivamente incorporado ao pop rock pelo grupo. 
O passo seguinte foi fazer um álbum que transmitisse a energia transbordante daquelas levadas afro-latinas de uma forma mais acurada. Assim foi gerado Abraxas, onde a banda parecia estar totalmente à vontade em estúdio para conceber sua obra-prima. A começar do suingue etéreo da abertura, "Singing Winds, Crying Beats", passando pela dobradinha "Black Magic Woman/Gypsy Queen" (respectivamente do ex-Fleetwood Mac, Peter Green, e do guitarrista de jazz húngaro Gabor Szabo) e por "Oye Como Va" (recriação de um antigo hit do astro da salsa, Tito Puente), o disco é uma sucessão de ritmos con¬agiantes, quando não inusitados. Basta notar "Incident At Neshabur" (parceria de Santana com Albert Gianquinto, pianista de blues e integrante do partido radical Black Panthers), onde começa a aflmar toda a inclinação para o jazz rock que iria orientar os trabalhos posteriores do guitarrista, ou então o lirismo extremado traduzido pelos solos lânguidos de "Samba Pa Ti". "Chepito" Areas também deixa sua contribuição em dois temas de destaque: no peso de "Se A Cabo" e na enraizada"El Nicoya". 
Ao longo de três décadas de carreira, Santana prosseguiu tendo muito mais prestígio que sucesso. Esta situação se inverteu em 1999, quando seu álbum Supernatural (com canjas de Lauryn Hill, Wiclef Jean, Everlast e Eric Clapton, entre outros) venceu o prêmio Grammy em nove categorias. Seria uma reapresentação do velho mariachi do rock às novas gerações? Pode ser, mas o certo é que o cara já fazia autêntica world music muito antes do termo existir. 

Celso Pucci


FONTE: http://rateyourmusic.com/lists/list_view?list_id=133037&show=50&start=150

sexta-feira, 14 de junho de 2013

quinta-feira, 13 de junho de 2013

FERNANDO PESSOA

Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples.
Tem só duas datas - a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra todos os dias são meus.

domingo, 9 de junho de 2013

sexta-feira, 7 de junho de 2013

FOTO





































Fotografia do Ricardo Silva

CABEÇA DE PEDRA

O TAPA QUE NÃO LEVEI

Existiu ou não aquele tapa no rosto? Não. Porque ele nunca me bateu, ele nunca gritou. Nem precisava. Os olhos eram mais que Clint Eastwood. 
Furavam como balas de prata e atingiam lá, naquele ponto onde se deflagra o medo do indizível, do que não se sabe, medo que é muito maior do que os monstros que vemos em Godzila ou na esquina de casa. 
Passaram-se anos e eu fiquei na dúvida, como tinha também aquela de não ser seu filho; nem dele nem dela, porque vi a foto do casamento e havia um gurizote lá. 
Alguém me disse que é difícil saber que feridas carregamos. Podem ser invenções de nós mesmos. Talvez a minha tenha se aberto naquele tapa que não levei.


FONTE: http://cabecadepedra1.blogspot.com.br/2013/06/o-tapa-que-nao-levei.html