sábado, 4 de julho de 2015

MERDA

A palavra mais rica da língua portuguesa
é a palavra Merda.
Esta versátil palavra pode mesmo ser considerada um coringa
da língua portuguesa.

Vejam os exemplos a seguir:

1) Como indicação geográfica 1:
Onde fica essa MERDA?
2) Como indicação geográfica 2:
Vá a MERDA!
3) Como indicação geográfica 3:
17:00h – vou embora dessa MERDA.
4) Como substantivo qualificativo:
Você é um MERDA!
5) Como auxiliar quantitativo:
Trabalho pra caramba e não ganho
MERDA nenhuma!
6) Como indicador de especialização
profissional:Ele só faz MERDA.
7) Como indicativo de MBA:
Ele faz muita MERDA.
8) Como sinônimo de covarde:
Seu MERDA!
9) Como questionamento dirigido:
Fez MERDA, né?
10) Como indicador visual:
Não se enxerga MERDA nenhuma!
11) Como elemento de indicação
do caminho a ser percorrido:
Por que você não vai a MERDA?
12) Como especulação de conhecimento
e surpresa: Que MERDA é essa?
13) Como constatação da situação
financeira de um indivíduo:
Ele está na MERDA…
14) Como indicador de ressentimento
natalino: Não ganhei MERDA
nenhuma de presente!
15) Como indicador de admiração:
Puta MERDA!
16) Como indicador de rejeição:
Puta MERDA!
17) Como indicador de espécie:
O que esse MERDA pensa que é?
18) Como indicador de continuidade:
Tô na mesma MERDA de sempre.
19) Como indicador de desordem:
Tá tudo uma MERDA!
20) Como constatação científica dos
resultados da alquimia:
Tudo o que ele toca vira MERDA!
21) Como resultado aplicativo:
Deu MERDA.
22) Como indicador de performance
esportiva: O SANTA CRUZ e o NAÚTICO
não estão jogando
MERDA nenhuma!!!
23) Como constatação negativa:
Que MERDA!
24) Como classificação literária:
Êita textinho de MERDA!!!
25) Como qualificação de governo:
O governo Lula só faz MERDA!
26) Como situação de ‘orgulho/metidez’ :
Ela se acha e não tem ‘MERDA
NENHUMA!’
27) Como indicativo de ocupação:
Para você ter lido até aqui, é sinal que
não está
fazendo MERDA nenhuma!

PS: Esta é uma adaptação tosca, cópia de um texto de Roberto Fontanarrosa,
humorista e cartunista argentino – Solda



SOLDA

CÁUSTICO

SOLDA CÁUSTICO: http://cartunistasolda.com.br/

quinta-feira, 2 de julho de 2015

W.C. FIELDS

Frases


* Certa vez fiquei tantos minutos sem beber que me senti como se alguém tivesse pisado em minha língua com o pé sujo de barro.

* Um homem que detesta crianças e cachorros não pode ser mau de todo.

* Meu peixe favorito? Uma piranha na banheira de minha ex-mulher.

* Sou livre de qualquer preconceito. Odeio todo mundo, indistintamente.

* Não me importo de ser levado a beber. O que me preocupa é ser levado para casa.

* Os ricos não passam de pobres com dinheiro.

* (Ao ser perguntado por que nunca bebia água): Peixes fodem nela.

* Está para nascer o homem que nunca teve o secreto desejo de dar um chute na bunda de um guri.

* Dê a seu bebê uma alimentação à base de cebola. Assim poderá achá-lo mais facilmente no escuro.

* Sorria assim que acordar. Livre-se logo dessa obrigação.



*W. C. Fields (William Claude Dukinfield), foi um dos maiores humoristas americanos, tendo vivido no período de 1879 a 1946. Era conhecido por seu mau humor. Do livro "O melhor do mau humor", Companhia das Letras - São Paulo, 1990, organizado e traduzido por Ruy Castro, págs. diversas, extraímos as frases acima.

FOTOS




Fotografias de Ricardo Silva

FERNANDO PESSOA

Presságio

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente...
Cala: parece esquecer...

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
P'ra saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...



LU CONG




quarta-feira, 1 de julho de 2015

DISCOTECA BÁSICA

PAULINHO DA VIOLA 
DANÇA DA SOLIDÃO (1972)

por TIAGO FERREIRA

Álbum, que exibe primor em produção e musicalidade, navega pelos mais densos sentimentalismos do músico.

Paulinho da Viola já foi um botequeiro de primeira linhagem. E isso contribuiu bastante para a poeticidade de um dos mais prolíficos sambistas que o Brasil já teve. Com Cartola e Zé Keti, Paulo César Faria obteve o impulso necessário para abraçar de vez a condição de sambista nos anos 70, em um período em que a música popular brasileira sofria com as censuras da Ditadura Militar.

Paulinho da Viola herdou do mestre Cartola um intimismo com suas canções que as tornam sinceras, tocantes

O sambista já estava envolvido no cenário musical desde os anos 1960, gravando duetos com Elton Medeiros e colaborando com Cartola na profusão de letras densas, sentimentais. Hoje, Paulinho da Viola já abandonou as bebidas, mas permanece com a importante alcunha de ser o maior sambista vivo.

E não é exagero nenhum ovacionar a impecável produção de um dos seus discos mais importantes,Dança da Solidão. Lançado em 1972, a obra navega pelos mais densos sentimentalismos do músico. Paulinho herdou de Cartola um intimismo com suas canções que as tornam sinceras, tocantes. Só que, ao contrário do mestre que se deixava ofuscar pela morbidez, Paulinho transpunha para a viola suas desilusões, como mostra a faixa-título do álbum.

Em relação à produção, Milton Miranda e Maestro Gaya deixaram o som limpo para a viola fluir naturalmente em meio às percussões, os violinos e cavaquinhos. “Coração Imprudente” cai mais para o gingado da canção ao invés de adotar um tom deprimente pelo ‘coração machucado’. É como se o samba confortasse o músico assim como uma família ajuda a superar as maiores misérias amorosas.

Mas engana-se quem pensa que a faceta triste é o grande marco desse disco. “Guardei Minha Viola” começa com uma alegria jovial para afastar as desilusões de sua viola. Paulinho tem o instrumento como uma lembrança vivaz de um ‘alguém que só me fez ingratidão’, aceitando a condição de sensível enquanto músico.

Na faixa seguinte, o sambista já volta ao seu lado terno. ‘Eu sou assim/quem quiser gostar de mim/eu sou assim’, canta Paulinho em “Meu Mundo e Hoje (Eu Sou Assim)”. Ele se mostra como um homem feliz com suas condições sociais: as grandes reviravoltas na sua vida ocorrem com os amores. ‘Não levarei arrependimento/nem o peso da hipocrisia/tenho pena daqueles/que se agacham até o chão/por dinheiro ou posição’. Pois, ‘além de flores/nada mais vai no caixão’.

Paulinho também faz algumas releituras, como a sólida “Duas Horas da Manhã”, de Nelson Cavaquinho, e “Acontece”, de Cartola – dois dos mais tristes sambistas que serviram como inspiração para o músico. Além delas, Paulinho dá um tom orquestral para a belíssima “Falso Moralista”, de Nelson Sargento.

O jornalista Arley Pereira resumiu bem a obra desse álbum: “Um dos melhores discos da carreira de Paulinho da Viola, que fornece repertório para regravações de novas gerações que encontram nele a matéria-prima sempre perfeita para ouvidos de bom gosto”.

Não precisa dizer mais nada.