quarta-feira, 11 de outubro de 2017

PACTO DE SANGUE


Double indemnity, 1944
Paramount Pictures, 107min) Direção: Billy Wilder. Roteiro: Billy Wilder, Raymond Chandler, romance de James M. Cain. Fotografia: John F. Seitz. Música: Miklós Rózsa. Figurino: Edith Head. Direção de arte/cenários: Hans Dreier, Hal Pereira/Bertram Granger. Produção executiva: Buddy G. DeSylva. Produção: Joseph Sistrom. Elenco: Fred MacMurray, Barbara Stanwyck, Edward G. Robinson, Tom Powers, Jean Heather, Porter Hall. Estreia: 24/4/44

7 indicações ao Oscar: Melhor Filme, Diretor (Billy Wilder), Atriz (Barbara Stanwyck), Roteiro Adaptado, Fotografia em P&B, Trilha Sonora Original, Som

Se existe um filme que merece ser chamado de noir, este filme é, "Pacto de sangue": dirigido com a maestria absoluta de Billy Wilder, fotografado em um assombroso preto-e-branco por John F. Seitz e apresentando todas as características que mais tarde seriam o DNA do subgênero mais famoso do cinema policial, a adaptação do romance de James M. Cain (que também escreveu "Mildred Pierce", que virou "Almas em suplício" e deu à Joan Crawford o Oscar de melhor atriz) conquista o espectador logo de cara, com a narração em off do protagonista (outro sinal inequívoco do estilo), começando a narrar os caminhos tortuosos que o levaram a uma situação nada invejável: ferido e acuado, Walter Neff (Fred MacMurray) viu sua vida relativamente tranquila de agente de seguros virada de pernas para o ar desde o momento em que pôs os olhos na melíflua Phyllis Dietrichson (Barbara Stanwyck, com uma peruca que o próprio Wilder detestava e uma atuação na medida exata entre a paixão e o cinismo). O início da intrincada trama - que modificou sensivelmente alguns pontos da obra de Cain com o apoio do autor - é apenas o começo, também, para Neff e para o público, que durante pouco menos de duas horas acompanhará uma história de paixão, lúxuria, morte e traição assinada por um dos mais brilhantes cineastas da Hollywood de ouro.

Billy Wilder - prolífico diretor e roteirista, capaz de assinar desde dramas humanos como "Farrapo humano" como comédias ácidas como "Quanto mais quente melhor" e romances elegantes como "Sabrina" - tem a seu crédito uma meia-dúzia de obras-primas, mas, à época do lançamento de "Pacto de sangue" ainda tinha poucos títulos em seu currículo (três, para ser mais exato). No entanto, quando se assiste a este seu quarto filme, fica difícil acreditar que ele nunca tivesse comandado um policial. Dotado de um ritmo impecável e um direção segura de atores, Wilder moldou a base do filme noir, borrando as fronteiras entre o bem e o mal e entregando à audiência um protagonista bem longe do maniqueísmo que imperava desde que o infame Código Hayes passou a ditar as regras na produção cinematográfica. Essa ousadia - que tão bem faz o filme e tão libertadora foi para que o público não se deixasse bitolar por leis absurdas de puritanismo - é uma das marcas registradas do cinema de Wilder e fica patente em cada sequência de "Pacto de sangue".

O protagonista, Walter Neff (vivido pelo mesmo Fred MacMurray que trabalharia novamente com o diretor em "Se meu apartamento falasse", de 1960, como o chefe canalha de Jack Lemmon) é um primor de ambiguidade: ao mesmo tempo em que é o herói da trama (ao menos dentro daquele padrão convencional de definição de herói de cinema), ele é também um mau-caráter de primeira ordem. Tudo bem, existe o atenuante de estar apaixonado, mas, no cinema noir homem apaixonado é alvo fácil, e Neff não contraria a regra: deslumbrado por Phyllis Dietrichson desde que viu pela primeira vez sua tornozeleira, displicentemente encoberta por uma toalha de banho, ele cai em suas garras e em seu plano malévolo. Convencido por ela, ele obriga seu marido (Tom Powers) a assinar um seguro de vida milionário dotado de Auma cláusula que duplica a indenização caso a morte seja acidental. Se hoje o público já sabe de longe que vem problema por aí, o mesmo não pode ser dito de Neff, que entra em uma jogada arriscada: matar o milionário e forjar um acidente - para então ficar com sua esposa e o dinheiro de seu seguro.

Plano bolado e plano executado, é claro que as coisas começam a parecer o que realmente são: uma teia de mentiras e traição para ninguém botar defeito. Billy Wilder, a partir daí, mantém a plateia com a respiração suspensa, com cenas construídas milimetricamente para manter a tensão constante - e de dar orgulho ao mestre Alfred Hitchcock. Baseado em um caso real que tomou as manchetes dos jornais nos anos 20, o romance de James M. Cain encontrou em Wilder o diretor ideal, e o roteiro (que não teve a coautoria de habitual colega Charles Brackett, que não gostou do tema denso da história) contou com a colaboração do escritor Raymond Chandler, cuja relação com o cineasta não foi nem um pouco amistosa. As constantes desavenças entre os dois, porém, não se deixa entrever no resultado final, um filme impecável que é o responsável pelo surgimento de uma espécie de cinema que é até hoje, sete décadas depois, fonte inesgotável de inspiração e admiração.


FONTE:
UM FILME POR DIA

GANG 90

TELEFONE

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

BERTOLD BRECHT


Ah! Desgraçados!


Um irmão é maltratado e vocês olham para o outro lado?
Grita de dor o ferido e vocês ficam calados?
A violência faz a ronda e escolhe a vítima,
e vocês dizem: “a mim ela está poupando, vamos fingir que não estamos olhando”.
Mas que cidade?
Que espécie de gente é essa?
Quando campeia em uma cidade a injustiça,
é necessário que alguem se levante.
Não havendo quem se levante,
é preferível que em um grande incêndio,
toda cidade desapareça,
antes que a noite desça.


terça-feira, 3 de outubro de 2017

TOM PETTY

Thomas Earl Petty 
(Gainesville, 20 de outubro de 1950 - Los Angeles, 2 de outubro de 2017)




segunda-feira, 2 de outubro de 2017

CHARLES BUKOWSKI

Já morreu

sempre quis transar com
henry miller, ela disse,
mas quando cheguei lá
era tarde demais.
diabos, eu disse, vocês
sempre chegam tarde demais, garotas.
hoje já me masturbei
duas vezes.
não era esse o problema dele,
ela disse. a propósito
como você consegue bater
tantas?
é o espaço, eu digo,
todo o espaço entre
os poemas e os contos, é
intolerável.
você deveria esperar, ela disse,
você é impaciente.
o que você pensa de céline?
perguntei.
queria transar com ele também.

já morreu, eu disse.
já morreu, ela disse.
importa-se de ouvir uma
musiquinha? perguntei.
pode ser legal, ela disse.
dei-lhe ives.
era tudo que me restava
naquela noite.


quinta-feira, 28 de setembro de 2017

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

ARTHUR RIMBAUD


De  Uma temporada no inferno, 1873 


tradução  Janer Cristaldo


Já é outono! — Mas porque deplorar um sol eterno, se estamos empenhados na descoberta da claridade divina, — longe das gentes que morrem ao correr das estações.

O outono. Nossa barca erguida nas brumas imóveis ruma ao porto da miséria, a cidade enorme sob o céu manchado de fogo e barro. Ah! os andrajos podres, o pão ensopado na chuva, a embriaguez, os mil amores que me crucificaram! Nunca deixará de existir essa vampiro rainha de milhões de almas e corpos mortos e que serão julgados! Revejo-me, apele roída pela lama e peste, os cabelos e as axilas cheios de vermes, e vermes ainda maiores no coração, estendido entre os desconhecidos sem idade, sem sentimento…Eu poderia assim morrer…Horrorosa evocação! Execro a miséria.

E temo o inverno porque é a estação do conforto!

— Vejo às vezes no céu praias infinitas cobertas de brancas nações em festa. Uma grande nau de ouro, acima de mim, agita seus pavilhões multicolores sob as brisas da manha. Criei todas as festas, todos os triunfos, todos os dramas. Tentei inventar novas flores, novos astros, novas carnes, novas línguas. Acreditei adquirir poderes sobrenaturais. Muito bem! Devo sepultar minha imaginação e minhas lembranças. Uma linda glória de artista e de narrador perdida!

Eu! Eu que me chamei mago ou anjo, dispensado de toda moral, voltei ao chão, com um dever a buscar, e obrigado a áspera realidade abraçar! Campônio!

Engano-me? seria a caridade, para mim, irmã da morte?


Enfim, pedirei perdão por ter-me nutrido de mentira? E sigamos.

Mas nenhuma mão amiga! e onde encontrar o socorro?

Sim, a nova hora é pelo menos muito severa.

Pois posso dizer que a vitória me foi dada: o ranger de dentes, o sibilar do fogo, os suspiros pestilentos se atenuam. Todas as lembranças imundas se apagam. Minhas últimas queixas se esfumam, — inveja dos mendigos, dos salteadores, dos amigos da morte, dos párias de toda espécie. — Malditos, se eu me vingasse!

É necessário ser absolutamente moderno.

Nada de cânticos: manter o terreno conquistado. Dura noite! O sangue ressequido fumega em meu rosto, e nada tenho atrás de mim a não ser este horrível arbusto!…O combate espiritual é tão brutal quanto a batalha dos homens; mas a visão da justiça é o prazer só de Deus.

É a vigília, entretanto. Recebamos todos os influxos de real vigor e ternura. E, ao romper da aurora, armados de ardente paciência, entraremos nas cidades esplêndidas.

Que falava eu de mão amiga? É uma bela vantagem poder rir-me dos velhos amores ilusórios, e cobrir de vergonhas esses casais mentirosos — vi o inferno das mulheres lá em baixo; — e me será permitido possuir a verdade em uma alma e um corpo.

*Jean-Nicholas Arthur Rimbaud (1854 – 1891) foi um poeta francês de carreira meteórica. Produziu a maior parte de suas obras antes de completar os vinte anos e foi apontado por Victor Hugo como “um jovem Shakespeare”. Após alcançar o sucesso, desistiu de escrever e partiu para loucas aventuras no interior da África, onde contraiu uma infecção, o que o levou de volta para morrer na França.


domingo, 24 de setembro de 2017

ALUCARDA



Original:Alucarda, la hija de las tinieblas
Ano:1977•País:MÉXICO
Direção:Juan López Moctezuma
Roteiro:Sheridan Le Fanu, Alexis Arroyo, Tita Arroyo, Juan López Moctezuma, Yolanda López Moctezuma
Produção:Max Guefen, Juan López Moctezuma, Eduardo Moreno
Elenco:Claudio Brook, David Silva, Tina Romero, Susana Kamini, Lili Garza, Tina French, Birgitta Segerskog, Martin LaSalle


O cinema de horror produzido na América Latina ainda não obteve o merecido reconhecimento das novas gerações de críticos e cinéfilos. Existem obras muito interessantes vindas da Argentina, do Chile e principalmente do México. Não é por acaso que um dos principais autores do moderno cinema fantástico – Guillermo Del Toro – seja mexicano. O país tem uma cultura muito rica e toda uma tradição de culto aos mortos, muitas cores, uma mistura das antigas civilizações com a cultura imposta pelos espanhóis, entre diversos elementos que fizeram do México uma fonte de grandes escritores, pintores, diretores e fotógrafos. Um dos mais importantes autores, ligado diretamente ao cinema fantástico produzido no México, é Juan Lopez Moctezuma, criador de um emblemático filme de horror de imagens perturbadoras: Alucarda.

Moctezuma foi amigo e colaborador de dois grandes nomes da vanguarda do séc XX: o dramaturgo e diretor Fernando Arrabal e o cineasta Alejandro Jodorovski. Com os dois amigos, Moctezuma fundou o Teatro Le Panique, um movimento estético e inovador de encenação onde o transe, a força e a histeria dos atores eram privilegiados. Com Arrabal e Jodorovski, Moctezuma colaborou com o polêmico filme Fando e Lis, que causou a expulsão de Jodorovski de um festival de cinema no México. Somente com Jodorovski, ele colaborou com o primeiro cult movie da história do cinema: El Topo. Após esses primeiros experimentos com os dois famosos amigos, Moctezuma resolveu dirigir seu primeiro projeto: The Mansion of Madness, livremente inspirado na obra de Edgar Allan Poe. Logo em seguida ele lança seu filme mais popular: Alucarda – La Hija de las Tinieblas, 1972.

Alucarda é mais uma adaptação livre da história sobre a vampira Carmilla, que teve muitas adaptações famosas, principalmente as da produtora inglesa Hammer. A leitura de Moctezuma reúne uma série de subgêneros do horror cinematográfico. Em cena vemos, já na abertura, a vinda ao mundo de uma criança amaldiçoada, uma filha das trevas, numa referência ao sub-título em espanhol do filme. A atriz que faz o papel da mãe é Tina Moreno, a mesma que irá interpretar a sombria protagonista do filme: Alucarda, uma jovem interna de uma escola religiosa mantida por freiras que parecem saídas de um quadro de Brughel, com seus corpos cobertos, tendo apenas o rosto de fora, quase como múmias. O ator David Silva interpreta o Padre Lázaro, o inquisidor chefe espiritual do convento que enxerga a presença do demônio em todos os lugares. Nesse clima medieval, em pleno séc XIX, surge em cena Justine, a jovem inocente que ao chegar no convento descobre que será colega de quarto de Alucarda. A aparição inicial de Alucarda em cena é muito impactante: ela surge como que saída das trevas do quarto, num artesanal, porém, eficiente truque de iluminação do diretor de fotografia Xavier Cruz.

Alucarda e Justine ficam amigas na hora e em um passeio no campo conhecem um cigano corcunda que as introduz no mundo sobrenatural de maneira definitiva. Moctezuma constrói, a partir do encontro das duas jovens com o cigano corcunda, uma série de sequências oníricas com fortes doses de erotismo e violência. Vemos as duas jovens nuas em um ritual de vampirismo lésbico, guiadas pelo cigano corcunda onde Justine experimenta o sangue de Alucarda. Os cenários simplórios ganham dimensões dramáticas fortes com o uso criativo da iluminação. Em determinado momento vemos a recriação com atores de uma famosa tela de Goya: “O Sabbath das Feiticeiras”, onde uma figura que remete ao demônio é rodeado de mulheres, conduzindo tudo ao transe e a orgia.

Após o encontro homoerótico de Alucarda e Justine, somos conduzidos ao mundo dos inquisidores quando o Padre Lázaro relata fatos macabros de possessões coletivas em mosteiros e conventos na Europa da Idade Média. Ao acusar as duas jovens de satanismo, inicia uma tortura violenta contra Justine, em uma angustiante sequência onde ela é perfurada por um enorme alfinete. Surge então o Dr Oszek, interpretado por Cláudio Brook, que também interpreta o cigano corcunda. Ele surge como a “voz da razão”, da Ciência, em contraponto com a figura autoritária do inquisidor Padre Lázaro. Esse confronto ganha contornos sobrenaturais quando ambos presenciam uma freira morta, após ser mutilada, voltando à vida. Temos em cena além de elementos de satanismo, vampirismo lésbico, torturas inquisitórias, o elemento dos zumbis, nesse filme que mescla muitos subgêneros, sem contar o nunexploitation na figura das freiras do convento e seu transe coletivo histérico.

As sequências mais importantes ficam para a parte final. Em uma delas vemos Moctezuma citando os clássicos da Hammer quando o corpo de Justine é encontrado em uma cripta. Seu corpo está em um caixão repleto de sangue. Nua e ensanguentada ela ataca uma das freiras com uma violenta mordida no pescoço, fazendo o sangue jorrar como nos melhores filmes de zumbis que seriam feitos posteriormente. O delírio de fogo mostra Alucarda em um duelo sobrenatural no convento. A montagem que intercala o olhar de Alucarda com as chamas é sensacional, culminando nas perturbadoras imagens dos crucifixos em chamas. Moctezuma fecha sua obra com grande força cênica em um filme de muitos momentos raros, resumidos nesta análise.

A melhor edição em DVD de Alucarda saiu pela distribuidora Mondo Macabro, com excelentes extras que incluem além de um documentário, uma entrevista justamente com um dos famosos admiradores desse filme: o já citado Guillermo Del Toro. Alucarda é um filme realmente inesquecível…


FONTE:


sexta-feira, 22 de setembro de 2017

É PRIMAVERA










Fotografias de Ricardo Silva


MANOEL DE BARROS


Autorretrato falado



Venho de um Cuiabá de garimpos e de ruelas entortadas.

Meu pai teve uma venda no Beco da Marinha, onde nasci.

Me criei no Pantanal de Corumbá entre bichos do chão,

aves, pessoas humildes, árvores e rios.

Aprecio viver em lugares decadentes por gosto de estar

entre pedras e lagartos.

Já publiquei 10 livros de poesia: ao publicá-los me sinto

meio desonrado e fujo para o Pantanal onde sou

abençoado a garças.

Me procurei a vida inteira e não me achei — pelo que

fui salvo.

Não estou na sarjeta porque herdei uma fazenda de gado.

Os bois me recriam.

Agora eu sou tão ocaso!

Estou na categoria de sofrer do moral porque só faço

coisas inúteis.

No meu morrer tem uma dor de árvore.



quarta-feira, 20 de setembro de 2017

SOPHIA LOREN

Sofia Constanza Brigida Villani Scicolone





 





segunda-feira, 18 de setembro de 2017

JIMI HENDRIX


James Marshall "Jimi" Hendrix

Nascido Johnny Allen Hendrix (Seattle, 27 de novembro de 1942 – Londres, 18 de setembro de 1970)

Nascido em Seattle, Washington, Hendrix cresceu tímido e sensível, tendo de ser o responsável por cuidar de seu irmão mais novo, Leon Hendrix, profundamente afetado por problemas familiares, tais como o divórcio dos seus pais em 1951 e a morte de sua mãe em 1958, quando ele tinha apenas 16 anos. Era muito afeiçoado à sua avó materna, que possuía sangue cherokee, e que incutiu no jovem Jimi um forte sentido de orgulho de seus ancestrais nativos norte-americanos. Certa vez quando estava trabalhando na retirada de sucata junto com seu pai, Jimi encontrou um ukelele (instrumento de 4 cordas, introduzido no Havaí pelos portugueses no século XVII) que tinha apenas uma corda mas que mesmo assim o encantou, posteriormente e com muita dificuldade comprou, por apenas 5 dólares, uma guitarra acústica, pondo-o no caminho da sua futura vocação.

Depois de tocar com várias bandas locais de Seattle, Hendrix alistou-se ao exército, juntando-se à 101-a Divisão Aerotransportada (101st Airborne Division) baseada em Fort Campbell, Kentucky, a 80 km da cidade de Nashville, no Tennessee, como para-quedista. Ali ele serviu por menos de 1 ano e recebeu dispensa médica após fraturar o tornozelo em um salto. Mais tarde ele diria que o som do ar assobiando no para-quedas era uma das fontes de inspiração para o seu som "espacial" na guitarra.

Não há nenhum registro médico no exército americano sobre a dispensa de Hendrix. Em 2005, Charles Cross, que foi autor da biografia do líder do Nirvana, Kurt Cobain, publicou no seu livro "Room Full of Mirrors", que o guitarrista alegou estar apaixonado por um dos seus colegas do seu agrupamento, numa visita ao serviço psiquiátrico em 1962, em Fort Campbell (Estado do Kentucky). Aquilo era mentira, segundo Cross, que relata a preferência do músico por mulheres. "Ele queria apenas escapar do exército para se dedicar à música."

Hendrix, que se alistou como voluntário para a guerra do Vietnã, nunca esteve em combate, porém as suas gravações tornaram-se as favoritas entre os soldados que lá lutavam. Inicialmente levou uma vida precária tocando em bandas de apoio a músicos de soul e blues como Curtis Knight, B. B. King, e Little Richard em 1965. Sua primeira aparição destacada foi com os Isley Brothers, principalmente na canção "Testify" em 1964.

Em 14 de outubro de 1965, Hendrix assinou um contrato de gravação por três anos com o empresário Ed Chaplin, recebendo US$1 e 1% de direitos em gravações com Curtis Knight. Este contrato causou mais tarde sérios problemas entre Hendrix e outras companhias de gravação.

Por volta de 1966, Hendrix já tinha a sua própria banda, Jimmy James and the Blue Flames (que incluía Randy California, mais tarde guitarrista do Spirit) e uma residência no Cafe Wha?, localizado na cidade de Nova Iorque. Foi durante este período que Hendrix conheceu e trabalhou com a cantora e guitarrista Ellen McIlwaine e também com o guitarrista Jeff "Skunk" Baxter (mais tarde integrante dos grupos Steely Dan e The Doobie Brothers) assim como o iconoclasta Frank Zappa, cuja banda The Mothers of Invention tocava no Garrick Theatre, no Greenwich Village novaiorquino. Foi Zappa que apresentou Hendrix ao recém-criado pedal de "wah-wah", um pedal de efeito sonoro do qual Hendrix rapidamente se tornou mestre notável e que se transformou em parte integrante de sua música.



Foi enquanto tocava com o "The Blue Flames" no Cafe Wha? que Hendrix foi descoberto por Chas Chandler, baixista do famoso grupo de rock britânico The Animals. Chandler levou-o para a Inglaterra, levou-o a um contrato de agenciamento e produção com seu produtor musical e ajudou-o a formar uma nova banda, The Jimi Hendrix Experience, com o baixista Noel Redding e o percussionista Mitch Mitchell.

Durante as suas primeiras apresentações em clubes de Londres, o nome da nova estrela espalhou-se como fogo pela indústria musical britânica. Os seus shows e musicalidade criaram fãs rapidamente, entre eles os guitarristas Eric Clapton e Jeff Beck, assim como os Beatles e o The Who, e também o ainda desconhecido Farrokh Bulsara, que mais tarde viraria o grande Freddie Mercury, cujos produtores imediatamente encaminharam Hendrix para o selo que produzia o The Who: a Track Records. O primeiro "single" desta parceria, uma regravação de "Hey Joe", se tornou quase que um padrão para as bandas de rock da época.

Mais sucesso veio em seguida, com a incendiária "Purple Haze" e a balada "The Wind Cries Mary". Estas duas e ainda "Hey Joe" chegaram na época ao chamado "Top 10". Agora, finalmente estabelecido no Reino Unido como importante estrela de rock, Hendrix e sua namorada Kathy Etchingham mudaram-se para uma casa no centro de Londres, ao lado da casa que um dia pertencera ao compositor barroco Georg Friedrich Händel (antigo compositor clássico).

Em 1967, o grupo, formado por Hendrix na guitarra e vocal, Noel Redding no baixo,eventualmente guitarra e vocais base, e Mitch Mitchell, na bateria, percussão e backing vocals lança seu primeiro álbum, Are You Experienced, cuja mistura de baladas ("Remember"), psicodelia ("Third Stone from the Sun" e "Fire"), e blues tradicional ("Red House") seria uma espécie de amostra de seu trabalho posterior. O álbum fez muito sucesso, que só não alcançou o número 1 porque foi barrado pelo Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band dos The Beatles. O álbum é considerado por muitos o melhor álbum de estréia de todos os tempos, e foi eleito o quinto álbum mais importante da era do rock pela VH1 em 2001, além de estar em décimo quinto lugar na lista da revista Rolling Stone na categoria 500 Greatest Albums Of All Time (tradução livre: Os 500 melhores álbuns de todos os tempos). Outra edição da revista, publicada anos anteriormente em 1987, consagrou o álbum sendo o quinto na categoria Melhores Álbuns dos últimos 20 anos. O álbum está também incluído no livro 1001 álbuns que deve ouvir antes de morrer.

Em 31 de março do mesmo ano, Hendrix fazia uma apresentação no Astoria Theatre, em Londres, quando, teve a impressão (em sua opinião particular), que o público não estaria muito empolgado com seu show. Então, pela primeira vez, ateou fogo em sua guitarra em pleno espetáculo, fato que entrou pra história do Rock, e se tornaria marca registrada em suas apresentações, sendo repetida outras vezes. Foi levado para o hospital com queimaduras, sendo posteriormente advertido pelo administrador do Rank Theatre management para controlar suas exibições no palco depois de danificar os amplificadores e outros equipamentos no palco.

Com o forte apelo de Paul McCartney, integrante do "Festival Pop de Monterey" (Monterey Pop Festival), o Jimi Hendrix Experience foi agendado para apresentar-se naquele festival, e o concerto, onde ficou notória a imagem de Hendrix pondo fogo e quebrando sua guitarra, foi imortalizado pelo cineasta D.A. Pennebaker no filme Monterey Pop. O festival de Monterey foi um triunfante retorno. E foi seguido de uma abortada apresentação de abertura para o grupo pop The Monkees, em sua primeira turnê americana.

Os Monkees pediram a presença de Hendrix simplesmente por serem seus fãs. Infelizmente, porém, a sua plateia predominantemente adolescente não se interessou pelas bizarras apresentações de Hendrix no palco, e ele abruptamente interrompeu a digressão depois de algum tempo, exatamente quando Purple Haze começava a estourar nas paradas norte-americanas. Chas Chandler mais tarde admitiu que ter "caído fora" da turnê dos Monkees foi planejado para ganhar o máximo de impacto de mídia e de afronta para Hendrix. Na época, circulou uma história afirmando que Hendrix tinha sido retirado da digressão devido a reclamações de que sua conduta no palco era "lasciva e indecente", reclamações estas que teriam sido feitas pela organização conservadora de mulheres Daughters of the American Revolution. De fato, a história era falsa: a coisa foi forjada pela jornalista australiana Lillian Roxon, a qual acompanhava a turnê junto com o namorado e cantor Lynne Randell, outro coadjuvante. A afirmação foi zombeteiramente repetida na famosa Rock Encyclopedia de Roxton em 1969, porém mais tarde ela admitiu que a coisa foi fabricada.

Enquanto isso, de volta à Inglaterra, sua imagem de "selvagem" e de artista cheio de recursos para chamar atenção (tal como tocar a guitarra com os dentes e com ela às costas) continuava a trazer-lhe notoriedade, apesar de ele ter começado a se sentir mais e mais frustrado, devido à concentração da mídia e das plateias em suas atuações no palco e em seus primeiros sucessos, e pela crescente dificuldade em ter suas músicas novas também aceitas.

No mesmo ano, o grupo lança seu segundo álbum, Axis: Bold as Love, que continuou o estilo estabelecido por Are You Experienced, com faixas como Little Wing e If 6 Was 9, mostrando a continuidade de sua habilidade com a guitarra. No entanto, um percalço quase impediu o lançamento do álbum — Hendrix perdeu a fita com a gravação master do lado 1 do LP depois de acidentalmente tê-la esquecido num táxi. Com a proximidade do prazo fatal de lançamento, Hendrix, Chandler e o engenheiro de som Eddie Kramer foram forçados a fazer às pressas uma remixagem a partir das gravações multi-canais, o que eles conseguiram terminar numa verdadeira maratona noturna. Esta foi a versão lançada em dezembro de 1967, apesar de Kramer e Hendrix mais tarde terem dito que nunca ficaram totalmente satisfeitos com o resultado final.

Por volta dessa época, desavenças pessoais com Noel Redding, combinadas com a influência das drogas, álcool e fadiga, conduziram a uma problemática digressão na Escandinávia. A 4 de janeiro de 1968, Hendrix foi preso pela polícia de Estocolmo, após ter destruído completamente um quarto de hotel num ataque de fúria devido à embriaguez.

A terceira gravação da banda, o álbum duplo Electric Ladyland de 1968, era mais ecléctico e experimental, incluindo uma longa seção de blues ("Voodoo Child"), a "jazzística" "Rainy Day, Dream Away"/"Still Raining, Still Dreaming" e aquela que é provavelmente a versão mais conhecida da música de Bob Dylan All Along the Watchtower

A gravação do álbum foi extremamente problemática. Hendrix se decidira por voltar aos EUA e, frustrado pelas limitações da gravação comercial, decidiu criar seu próprio estúdio em Nova Iorque, no qual teria espaço ilimitado para desenvolver sua música. A construção do estúdio, batizado de "Electric Lady" foi cheia de problemas, e o mesmo só foi concluído em meados de 1970.

O trabalho antes disciplinado de Hendrix estava a tornar-se errático, e as suas intermináveis sessões de gravação repletas de aproveitadores finalmente fizeram com que Chas Chandler pedisse demissão em 1 de dezembro de 1968. Chandler posteriormente se queixou da insistência de Hendrix em repetir tomadas de gravação a cada música (a música Gypsy Eyes aparentemente teve 43 tomadas, e ainda assim Hendrix não ficou satisfeito com o resultado) combinado com o que Chas viu com uma incoerência causada por drogas, fez com que ele vendesse sua parte no negócio a seu parceiro Michael Jeffery. O perfeccionismo de Hendrix no estúdio era uma marca - comenta-se que ele fez o guitarrista Dave Mason tocar 20 vezes o acompanhamento de guitarra de All Along The Watchtower - e ainda assim ele sempre estava inseguro quanto a sua voz, e muitas vezes gravava seus vocais escondido no estúdio.

Muitos críticos hoje crêem que Michael Jeffery teve uma influência negativa na vida e na carreira de Hendrix. Comenta-se que Jeffery (que foi anteriormente empresário da banda The Animals) desviou boa parte do dinheiro que Hendrix ganhou durante a vida, depositando-o secretamente em contas no exterior. Também se crê que Jeffery tinha fortes ligações com os serviços de inteligência (ele se dizia agente secreto) e com a Máfia.

Apesar das dificuldades na sua gravação, muitas das faixas do álbum mostram a visão de Hendrix se expandindo para além do escopo do trio original (diz-se que este disco ajudou a inspirar o som de Miles Davis em Bitches Brew) e vendo-o colaborar com uma gama de músicos um tanto desconhecidos, incluindo Dave Mason, Chris Wood e Steve Winwood (da banda Traffic), ou o percussionista Buddy Miles e o ex-organista de Bob Dylan, Al Kooper.

A expansão de seus horizontes musicais foi acompanhada por uma deterioração no seu relacionamento com os colegas de banda (particularmente com Redding), e o Experience se desfez durante 1969. Suas relações com o público também vieram a tona quando em 4 de janeiro de 1969 ele foi acusado por produtores de televisão de ser arrogante, após tocar uma versão improvisada de "Sunshine of your Love" durante sua participação remunerada no show da BBC1, Happening for Lulu

Em 3 de maio Hendrix foi preso no Aeroporto Internacional de Toronto após uma quantidade de heroína ter sido descoberta em sua bagagem. Ele foi mais tarde posto em liberdade depois de pagar uma fiança de 10.000 dólares. Quando o caso foi a julgamento Hendrix foi absolvido, afirmando com sucesso que as drogas foram postas em sua bolsa por um fã sem o seu conhecimento. Em 29 de junho, Noel Redding formalmente anunciou à mídia que havia deixado o Jimi Hendrix Experience, embora ele efetivamente já tivesse deixado de trabalhar com Hendrix durante a maioria das gravações de Eletric Ladyland.

Em agosto de 1969, no entanto, Hendrix formou uma nova banda chamada Gypsy Suns and Rainbows, para tocar no Festival de Woodstock. Ela tinha Hendrix na guitarra, Billy Cox no baixo, Mitch Mitchell na bateria, Larry Lee na guitarra base e Jerry Velez e Juma Sultan na bateria e percussão. O show, apesar de notoriamente sem ensaio e desigual na performance (Hendrix estava, dizem, sob o efeito de uma dose potente de LSD tomada pouco antes de subir ao palco) e tocado para uma plateia celebrante que se esvaziava lentamente, possui uma extraordinária versão instrumental improvisada do hino nacional norte-americano, The Star-Spangled Banner, distorcida e quase irreconhecivél e acompanhada de sons de guerra, como metralhadoras e bombas, produzidos por Hendrix em sua guitarra (a criação desses efeitos foi inovadora, expandindo para além das técnicas tradicionais das guitarras elétricas). Essa execução foi descrita por muitos como a declaração da inquietude de uma geração da sociedade americana, e por outros como uma gozação antiamericana, estranhamente simbólica da beleza, espontaneidade e tragédia que estavam embutidas na vida de Hendrix. Foi uma execução inesquecível relembrada por gerações. Quando lhe foi perguntado no Dick Cavett Show se estava consciente de toda a polêmica que havia causado com a performance, Hendrix simplesmente declarou: "Eu achei que foi lindo."

O Gypsy Suns and Rainbows teve vida curta, e Hendrix formou um novo trio com velhos amigos, o Band of Gypsys, com seu antigo companheiro de exército, Billy Cox, no baixo e Buddy Miles na bateria, para quatro memoráveis concertos na véspera do Ano Novo de 1969/1970. Felizmente os concertos foram gravados, capturando várias peças memoráveis, incluindo o que muitos acham ser uma das maiores performances ao vivo de Hendrix, uma explosiva execução de 12 minutos do seu épico antiguerra 'Machine Gun'.

Em 28 de janeiro de 1970 acontecia no Madison Square Garden, em Nova Iorque, um dos maiores concertos já organizados em prol da paz no Vietnã, o Festival do Inverno para a Paz. Teve sete horas e meia de duração. O baterista, Mitch Mitchell e o baixista Noel Redding, estavam no backstage porque participariam do fim do show fazendo uma jam com a Band of Gypsys, grupo que sucedeu o Experience. Michael Jeffrey, empresário de Hendrix, deu-lhe um ácido, pensando que isso levantaria o astral de Jimi e faria com que o show saísse melhor. Mas o resultado foi o contrário e Jimi terá ficado fora de si em pleno palco, dizendo para uma garota na plateia: “Você está menstruada? Eu posso ver através das suas bermudas”. O choque de ter dito isso fez com que Hendrix se tocasse. Depois o guitarrista ainda no palco acrescentou: “Nós não estamos bem” e abandonou o palco no meio da segunda música. Hendrix foi o mais ovacionado apesar do curto set. Outros que se apresentaram: Blood, Sweat & Tears, Harry Belafonte, The Rascals e Peter, Paul & Mary. Miles posteriormente declarou durante uma entrevista de TV que Hendrix sentia que estava perdendo evidência para outros músicos. Passou o resto daquele ano em gravações sempre que arranjasse tempo, frequentemente com Mitch Mitchell, e tentando levar adiante o projeto Rainbow Brigde, uma super ambiciosa combinação de filme/álbum/concerto no Havaí. Em 26 de julho Hendrix tocou no Sick's Stadium, em sua cidade natal, Seattle.
Sepultura de Jimi Hendrix no Greenwood Memorial Park

Em Agosto ele tocou no Festival da Ilha de Wight com Mitchell e Cox, expressando desapontamento no palco em face do clamor de seus fãs por ouvir seus antigos sucessos, em lugar de suas novas ideias, mesmo tendo momentos memoráveis (inclusive Jimi Hendrix executando a clássica "Machine Gun", com 18 minutos). Em 6 de Setembro, durante sua última turnê europeia, Hendrix foi recebido com vaias e insultos por fãs, quanto se apresentou no Festival de Fehmarn, na Alemanha, em meio a uma atmosfera de baderna. O baixista Billy Cox deixou a turnê e retornou aos Estados Unidos depois de supostamente ter utilizado fenilciclidina, uma substância analgésica.

Antes da morte, mais tarde no mesmo ano, Hendrix iria começar um novo projeto, junto com o guitarrista e baixista Greg Lake (na época no grupo King Crimson) e o tecladista Keith Emerson.

Greg, que acabava de deixar o King Crimson e Keith procuravam por um baterista e percussionista, e chegaram a conversar com Mitch Mitchell. O ex baterista do Jimi Hendrix Experience, Gypsy Suns And Rainbows e Band Of Gypsys recusou, mas passou a ideia para Hendrix, que aceitou. A banda, que iria então ser formada pelos três, iria encorporar também Carl Palmer, como baterista, e se chamaria HELP (Hendrix, Emerson, Lake & Palmer). Infelizmente, Jimi morreu, mas o projeto seguiu, formando a banda de rock progressivo Emerson, Lake & Palmer, que produziu grandes sucessos, como Lucky Man, From The Beginning, Stil... You Turn Me On, entre outros.

Jimi Hendrix morreu em Londres nas primeiras horas de 18 de setembro de 1970, em circunstâncias que nunca foram completamente explicadas. Jimi havia passado parte da noite anterior em uma festa, de onde seguiu juntamente com a sua namorada Monika Dannemann para o Hotel Samarkand, no número 22 da Lansdowne Crescent, em Notting Hill. Estimativas indicam que ele teria morrido pouco tempo depois.

Dannemann alegou em seu depoimento original que Hendrix teria tomado sem que ela soubesse, na noite anterior, nove comprimidos de um remédio para dormir que ela utilizava. De acordo com o médico que o atendeu inicialmente, Hendrix tinha se asfixiado (literalmente afogado) em seu próprio vômito, composto principalmente de vinho tinto. Por anos Dannemann alegou publicamente que Hendrix ainda estava vivo quando o colocaram na ambulância; seus comentários sobre aquela manhã, no entanto, foram frequentemente contraditórios, e variaram de entrevista para entrevista. Declarações de policiais e paramédicos revelam que não havia ninguém além de Hendrix no apartamento, e que não apenas ele estava morto quando chegaram à cena, mas também estava totalmente vestido, e já estava morto há algum tempo.

As letras de uma canção composta por Hendrix e encontradas no apartamento levaram Eric Burdon a fazer um anúncio prematuro no programa 24 Hours, da BBC, de que Hendrix teria cometido suicídio. Depois de um processo por difamação movido em 1996 pela namorada inglesa de Hendrix por anos, Kathy Etchingham, Monika Dannemann cometeu suicídio - embora seu último amante, o guitarrista Uli Jon Roth(ex-Scorpions), tenha feito acusações de que ela teria sido assassinada. John Bannister, médico que atendeu Jimi Hendrix na noite de sua morte, disse que é plausível que o guitarrista tenha sido assassinado. As informações são da revista NME.

Bannister se refere às declarações publicadas por James "Tappy" Wright, ex-roadie de Hendrix, em seu livro "Rock Roadie".

Segundo Wright, o empresário do guitarrista, Mike Jeffrey, confessou que contratou um grupo que teria invadido o quarto de hotel e forçado Jimi Hendrix a tomar vinho e soníferos.

Bannister disse que é possível que isso tenha acontecido por causa da quantidade de vinho encontrada nos pulmões e no corpo do guitarrista. De acordo com o médico, ele estava "realmente afogado em uma enorme quantidade de vinho tinto".

"A quantidade de vinho que estava sobre ele era fora do comum. Seus cabelos e sua camisa estavam embebidos, também seus pulmões e estômago estavam completamente cheios de vinho. Eu nunca tinha visto tanto vinho", disse Bannister, informa o jornal The Times.

Wright afirma que Mike Jeffrey confessou tudo em 1971, um ano após a morte de Hendrix. O empresário, que tinha uma apólice de seguro no nome do guitarrista no valor de US$ 2 milhões, morreu em 1973 em um acidente de avião.


*Como produtor musical, Hendrix também inovou ao usar o estúdio de gravação como uma extensão de suas idéias musicais. Foi um dos primeiros a experimentar com a estereofonia e phasing em gravações de rock.

Hendrix conquistou diversos dos mais prestigiosos prêmios concedidos a artistas de rock durante sua vida, e recebeu diversos outros postumamente, incluindo sua confirmação no Hall da Fama do Rock and Rollamericano, em 1992, e no Hall da Fama da Música do Reino Unido, em 2005. Uma blue plaque (placa azul) foi erguida, com seu nome, diante de sua antiga residência, na Brook Street, de Londres, em setembro de 1997. Uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood (Hollywood Boulevard, 6627) foi-lhe dedicada em 1994. Em 2006 seu álbum de estréia nos Estados Unidos, Are You Experienced, foi inserido no Registro Nacional de Gravações, e a revista Rolling Stone classificou-o como o melhor guitarrista na sua lista de 100 maiores guitarristas de todos os tempos, em 2003. Hendrix também foi a primeira pessoa a fazer parte do Hall da Fama da Música Nativo-Americana.


FONTE: WIKIPÉDIA

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

LED ZEPPELIN

Rock and Roll




FERNANDO PESSOA

DO LIVRO DO DESASSOSSEGO


A vida prejudica a expressão da vida. Se eu vivesse um grande amor nunca o poderia contar. 

Eu próprio não sei se este eu, que vos exponho, por estas coleantes páginas fora, realmente existe ou é apenas um conceito estético e falso que fiz de mim-próprio. Sim, é assim. Vivo-me esteticamente em outro. Esculpi a minha vida como a uma estátua de matéria alheia a meu ser. Às vezes não me reconheço, tão exterior me pus a mim, e tão de modo puramente artístico empreguei a minha consciência de mim próprio. Quem sou por detrás desta irrealidade? Não sei. Devo ser alguém. E se não busco viver, agir, sentir é — crede-me bem — para não perturbar as linhas feitas da minha personalidade suposta. Quero ser tal qual quis ser e não sou. Se eu cedesse destruir-me-ia. Quero ser uma obra de arte, da alma pelo menos, já que de corpo não posso ser. Por isso me esculpi em calma e alheamento e me pus em estufa, longe dos ares frescos e das luzes francas — onde a minha artificialidade, flor absurda, floresça em afastada beleza.



segunda-feira, 11 de setembro de 2017

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

THE YELLOW KID


Era uma vez um Garoto Amarelo




por  Célio Heitor Guimarães


Os quadrinhos americanos vivem uma fase estranha (e perigosa). Sem saber o que fazer diante dos novos meios de comunicação e entretenimento e da perda do mercado, os editores enlouqueceram. E inventam reviravoltas que não apenas estão tirando a essência dos heróis de papel como poderão ocasionar o seu extermínio. É, pois, preciso contar essa história antes que ela acabe.

De fato, tudo começou há mais de 120 anos, com um menino carequinha, de orelhas de abano, vestindo um ridículo camisolão que lhe ia até os calcanhares. Era Yelow Kid ou o Garoto Amarelo, audaciosa criação de um jovem chamado Richard Fanton Outcault, estampada, pela primeira vez, no dia 16 de janeiro de 1896 (ou teria sido em 1895?), no suplemento dominical/ infantil colorido do New York Sundae World, então dirigido por Joseph Pulitzer, um imigrante de origem húngara, que se tornaria nome do mais importante prêmio jornalístico dos EUA.

Pulitzer dividia o comando do império jornalístico norte-americano, no final do século 19, com outro magnata da imprensa, William Randolph Hearst, que viria a inspirar o “Cidadão Kane”, de Orson Welles, do New York Journal.

Ambos achavam que a guerra entre os jornais seria decidida aos domingos em favor de quem dominasse a impressão a cores. Estavam cobertos de razão.

O World, de Pulitzer, largou na frente. Em 5 de abril de 1895 estampou dois desenhos de Richard Outcault, sob o título “At the Circus in Hogan Alley”. Os personagens eram moleques das ruas pobres de Nova York. No meio da turma, logo se destacaria um garotinho careca, cabeçudo e orelhudo, metido num camisolão. A partir de 1896, Outcault assumiu a periodicidade semanal do personagem e introduziu nos desenhos a sequência e os primeiros balãozinhos das falas, que se tornariam marcas fundamentais das HQs.

Conta o prof. Francisco Araújo – o gaúcho que transformou as histórias-em-quadrinhos em matéria acadêmica, na Universidade de Brasília, no ano de 1970 – que, quando o molequinho surgiu nas páginas do poderoso diário novaiorquino, o alvoroço foi enorme. A meninada adorou a novidade. Já os “coroas” nem tanto. A princípio, tentaram aparentar certa indiferença; depois, passaram a considerar as travessuras de Yellow Kid um “mau exemplo” para as crianças. Na verdade, como bem disse o jornalista Sérgio Augusto – outro pioneiro na área, por haver sido o primeiro crítico de gibis da imprensa brasileira, também na década de 70 –, a birra dos leitores mais velhos “não era, exatamente, com as peraltices dele, mas com o ambiente em que circulava e com o seu jeito esmolambado”. Não demorou muito, porém, para que os adultos acabassem sendo pilhados apreciando a animada figurinha por sobre os ombros dos filhos.

Estava iniciada a era dos quadrinhos – então “funnies” (de “funny”, engraçado em inglês), já que as situações iniciais eram sempre hilariantes.

É certo que antes de Yellow Kid, vários foram os personagens ilustrados espalhados por publicações da época, na Europa e mesmo nos EUA. Entre eles, os célebres Max und Moritz, surgidos na Alemanha, em 1865, por inspiração do artista Wilhelm Busch. O quadrinhólogo Álvaro de Moya, recentemente falecido, cita um professor suíço, que, já em 1827, desenhava figuras no quadro-negro para entreter seus alunos e depois resolveu publicar esses desenhos, nos quais narrava histórias. Aliás, há quem diga que Richard Outcault apenas teria aproveitado a trilha aberta por Ursinhos e Tigrinhos. A afirmação, contudo, é bastante discutível, e a maioria dos pesquisadores prefere creditar ao pai do Garoto Amarelo a façanha de ter inaugurado uma nova forma de comunicação e expressão gráfica.

Originalmente, o personagem de Outcault não deveria ter sido impresso em amarelo, mas na falta de indicação do autor, os gráficos do World escolheram essa cor. O herói também não tinha nome, inicialmente, sendo batizado pelo público, encantado pela camisola do menino, impressa em amarelo.

Mas Yellow Kid exibiu desde logo uma irreverência crítica, desusada na imprensa de então. Para tanto, utilizava-se exatamente de seu camisolão panfletário, onde o autor faria desfilar as primeiras sátiras e as primeiras observações críticas aos usos e costumes da época.

Nesse sentido é também interessante salientar a iniciativa de Richard Outcault: em uma sociedade eminentemente capitalista, ele procurou ambientar a sua criação exatamente nas zonas mais pobres da cidade de Nova York, oferecendo-lhes sempre uma atmosfera de alegria quase irreal. Seus quadros, aliás, eram invariavelmente compostos de gente simples, varredores negros, chineses com seus trajes típicos e longas tranças, menininhas de laços nos cabelos e animais domésticos (cães, gatos, papagaios, etc.).

Se Richard F. Outcault pretendera apenas testar junto ao público uma nova modalidade de distração humorístico-visual, acabou encontrando o sucesso e um bom resultado financeiro.

Algum tempo depois, ele se transferiu para o Journal, deixando Yellow Kid seguir a sua trajetória no World, pelo pincel de outro artista. Na ausência de legislação a respeito, de copyright e de syndicates, não houve como prendê-lo. Da disputa pelo personagem, no entanto, surgiria a denominação “imprensa amarela” (“marrom”, no Brasil), para designar o jornalismo sensacionalista.


P.S.Este texto é parte do primeiro capítulo daquele livro que comecei a escrever, diagramar e montar em 2003 – HQ, A Arte que está nos Gibis – e que jamais será publicado.


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terça-feira, 5 de setembro de 2017

NÉLSON GONÇALVES

Antônio Gonçalves Sobral




Nélson Gonçalves (nome artístico de Antônio Gonçalves Sobral, Santana do Livramento, 21 de junho de 1919 — Rio de Janeiro, 18 de abril de 1998) foi um dos maiores cantores e compositores brasileiros. Terceiro maior vendedor de discos da história do Brasil, com mais de 81 milhões de cópias vendidas, fica atrás apenas de Roberto Carlos, com mais de 120 milhões e Tonico & Tinoco com aproximadamente 150 milhões. Seu maior sucesso foi a canção "A Volta do Boêm

Nasceu no interior do Rio Grande do Sul, mas mudou-se com os seus pais, portugueses de Lisboa, para São Paulo, no bairro do Brás. Quando criança, era levado para praças e feiras pelo seu pai, que precisava sustentar a família, e para isso, além de fazer outros serviços, fingia-se de cego e tocava violino, enquanto Nelson cantava, agradando os transeuntes e ganhando gorjetas.

Sua família era muito humilde e por isto, Nelson teve que abandonar os estudos no início de sua adolescência, para ajudar o pai a sustentar o lar. Foi jornaleiro, mecânico, engraxate, polidor e tamanqueiro. Querendo ganhar mais dinheiro e seguir uma profissão, se inscreveu em concursos de luta e venceu, tornando-se lutador de boxe na categoria peso-médio, recebendo, aos dezesseis anos de idade, o título de campeão paulista de luta. Após o prêmio, só ficou mais um ano lutando, pois queria investir em seu sonho de infância: Ser artista.

Mesmo com o apelido de "Metralha", por causa da gagueira, tomou coragem e não se deixou levar pelos preconceitos, e decidiu ser cantor, após deixar os ringues de luta. Em uma de suas primeiras bandas, teve como baterista Joaquim Silva Torres. Foi reprovado duas vezes no programa de calouros de Aurélio Campos. Finalmente foi admitido na rádio PRA-5, mas dispensado logo depois.

Nesta época, em 1939, aos 20 anos, casou-se com sua noiva, Elvira Molla. Com Elvira teve um casal de filhos:Marilene Gonçalves e Nelson Antônio Gonçalves. Sem emprego, trabalhava como garçom no bar do seu irmão, na avenida São João.

Neste mesmo ano, seguiu para o Rio de Janeiro com a esposa, onde trilhou mais uma vez o caminho dos programas de calouros. Foi reprovado novamente na maioria deles, inclusive no de Ary Barroso, que o aconselhou a desistir.

Em 1941, conseguiu gravar um disco de 78 rotações, que foi bem recebido pelo público. Passou a crooner do Cassino Copacabana (do Hotel Copacabana Palace) e assinou contrato com a Rádio Mayrink Veiga, iniciando uma carreira de ídolo do rádio nas décadas de 40 e 50, da escola dos grandes, discípulo de Orlando Silva e Francisco Alves.

Alguns de seus grandes sucessos dos anos 40 foram Maria Bethânia (Capiba), Normalista (Benedito Lacerda / Davi Nasser), Caminhemos (Herivelto Martins), Renúncia (Roberto Martins / Mário Rossi) e muitos outros. Maiores ainda foram os êxitos na década de 50, que incluem Última Seresta (Adelino Moreira / Sebastião Santana), Meu Vício É Você e a emblemática A Volta do Boêmio (ambas de Adelino Moreira).

No final dos anos 40, seu casamento com Elvira estava abalado, por muitas brigas conjugais devido aos ciúmes de Elvira. Em uma turnê por Minas Gerais, Nélson conheceu Maria, uma fã, que se declarou apaixonada por ele. Não resistindo à jovem, os dois passaram a ter um caso, e Nélson sempre ia visitá-la no interior de Minas. A moça engravidou, mas não revelou a Nélson, por medo de a família saber que ela se envolveu com um homem casado, pois Maria sabia que Nélson jamais largaria a esposa para ficar com ela. Ele até poderia assumir o bebê, mas a família de Maria não aceitaria vê-la sendo mãe solteira. Assim, a jovem terminou o relacionamento e Nélson ficou sem entender o porque. Nélson, então, já não mais feliz no casamento com Elvira, entrou com o pedido de divórcio, que foi dado pela esposa. Só em 1991 Nélson conheceu a filha que teve com a amante, Maria, mas esta já havia falecido. Após exame de DNA, comprovou-se que Lílian realmente era sua filha. Sendo assim, ele aceitou feliz esta nova filha, que conheceu seus meio-irmãos, sendo bem aceita por eles.

Na década de 50, além de shows em todo o Brasil, chegou a se apresentar em países como Uruguai, Argentina e Estados Unidos, no Radio City Music Hall.

Logo após o divórcio conhece Lourdinha Bittencourt, substituta de Dalva de Oliveira no Trio de Ouro. Os dois se apaixonam e após alguns anos de namoro, casam-se, em 1952. O casal passou os primeiros anos em lua-de-mel, e não pensavam em ter filhos, já que Lourdinha era muito vaidosa com o corpo e apesar de ser apenas quatro anos mais nova que o marido, se considerava jovem demais para ter filhos. Apesar da felicidade no início do casamento, com os anos a união foi se deteriorando, e o casamento durou até 1959, quando Lourdinha pediu o divórcio, devido as traições de Nélson.

No início da década de 60, Nélson conheceu Maria Luiza da Silva e começaram a namorar. Em poucos anos noivaram e em 1965, casaram-se. O casal teve dois filhos: Ricardo da Silva Ramos Gonçalves e Maria das Graças da Silva Ramos Gonçalves. Em homenagem a filha, sua caçula tem seu apelido no refrão da música Até 2001. (É no gogo gugu).

O casamento passou por grandes tribulações, quando Nélson se envolveu com cocaína, em 1958. Usando drogas por anos, sua esposa lutou contra o vício de Nélson, e apesar disto, Nélson foi preso em flagrante em 1965 por porte de drogas, e passou um mês na Casa de Detenção, o que lhe trouxe problemas pessoais e profissionais. Por todo esse tempo, sua esposa o visitou no presídio e juntava economias dela e do marido, que pagavam seu tratamento e seu advogado. Após sair da cadeia e diminuir o uso de drogas, voltou a lançar o disco A Volta do Boêmio nº1, um grande sucesso.

Após poucos anos, abandonou de vez o vício, sempre com o apoio de sua mulher. Totalmente recuperado, retomou sua carreira, cada vez mais bem sucedida.

Continuou gravando regularmente nos anos 70, 80 e 90, reafirmado a posição entre os recordistas nacionais de vendas de discos. Além dos eternos antigos sucessos, Nélson Gonçalves sempre se manteve atento a novos compositores, e chegou a gravar canções de Ângela Rô Rô (Simples Carinho), Kid Abelha (Nada por Mim), Legião Urbana (Ainda É Cedo) e Lulu Santos (Como uma Onda). Gravou "A Deusa do Amor", que está no álbum Nós, em parceria com Lobão, em 1987, tocando com ele essa música no Globo de Ouro em 1988.

Ganhador de um prêmio Nipper da RCA, dado aos que permanecem muito tempo na gravadora, sendo somente Elvis Presley o outro agraciado. Durante sua carreira, gravou mais de duas mil canções, 183 discos em 78 rpm, 128 álbuns, vendeu cerca de 75 milhões de discos, ganhou 38 discos de ouro e 20 de platina.

Morreu em consequência de um infarto agudo do miocárdio no apartamento de sua filha Margareth, no Rio de Janeiro. Encontra-se sepultado no Cemitério São João Batista no Rio de Janeiro.



FONTE: WIKIPÉDIA